segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Governo deixa de pagar e pensionistas fazem protesto em frente ao MP

A segunda-feira (12/9) foi marcada por mais um capítulo na novela de desrespeito do Estado do Rio contra o seu funcionalismo. O juiz Leonardo Grandmasson Chaves, da 8ª Vara de Fazenda Pública da Capital, informou o arresto de R$ 19.468.952 da conta do governo estadual, para a quitação da folha de pagamento de agosto dos servidores da rede. O magistrado bateu o martelo na quinta (8), mas as primeiras movimentações bancárias aconteceram nesta segunda (12). Nesta terça (13), um grupo de pensionistas da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros vai promover, às 11 horas, um ato em frente ao Ministério Público do Estado, no Centro, contra as medidas do executivo e os constantes atrasos salariais.



"Vamos tentar ser recebidas por um procurador, porque queremos pedir ao Ministério Público uma intervenção a nosso favor. Precisamos da certeza do amanhã, de que o nosso pagamento vai estar na conta na data que a Justiça determinar. Este governo não está respeitando o idoso e nem as decisões judiciais. Será que não existe uma lei que nos ampare? Não é possível o que estamos vivendo", desabafou a pensionista Jane da Silva Bueno, de 60 anos.

Jane faz parte de um grupo criado através das redes sociais, por inativos e pensionistas do setor de Segurança, visando o amparo mútuo no período de crise. "Ele [se referindo ao grupo virtual] vem das dificuldades encontradas pelas viúvas [dos setor de segurança] com a ausência de pagamento de salário. Trocamos as experiências de sofrimentos e uma ajuda a outra conseguindo medicação, cestas básicas... E até dando instruções para resolver problemas burocráticos usando o recurso da gratuidade, que é oferecido, em alguns casos, pela Defensoria Pública", conta a viúva. 

Segundo a pensionista, em março o governo enviou para as residências um telegrama convocando a classe para fazer o recadastramento e não informou sobre os abonos possíveis através da Defensoria. "Teve viúva que estava sem receber e gastou quase R$ 400 para retirar todas as certidões e documentos exigidos pelo governo em cartórios", disse Jane.

Reprodução


Os fatos relatados por Jane quanto a situação das viúvas da Polícia Militar e dos Bombeiros são desanimadores. "Tem gente passando fome, sem dinheiro para comprar remédio ou cuidar da saúde, está algo desesperador", afirma. Ela explica que desde dezembro há uma defasagem de um mês no calendário de pagamento dos pensionistas e inativos. O benefício de novembro, que deveria ser pago em dezembro, só foi efetuado pelo governo em janeiro e desde então a escala continua irregular. "O caos é total. O idoso não tem prioridade neste governo, que ainda faz vista grossa para reconhecer o quanto o servidor da Segurança Pública se dedicada e corre risco no exercício do trabalho", critica. 

Jane conta que seu marido serviu a PM por 31 anos e foi assassinado em decorrência de fato relacionado à profissão. Atualmente, a idosa vende roupas para complementar a renda familiar e, assim, consegue ajudar a filha pagar os estudos do seu neto, que ingressou há pouco tempo em uma faculdade. 

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