segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Cedae e a privatização: Rio deve ter conta de água mais cara com PPI

A semana começa no Rio de Janeiro em clima de expectativa gerado pela primeira rodada de negociação, nesta terça-feira (13/9), que pode mudar o modelo de concessão do serviço prestado pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio (Cedae) e, consequentemente, levar à um aumento no preço da conta de água. No encontro em Brasília, técnicos do BNDES vão propor à iniciativa privada o modelo de Parcerias de Investimento (PPI), além de sugerir nova tabela de valores para a água da Cedae, tendo como parâmetro cada região do estado.

>> Tarifa de água deve subir após concessão da Cedae


Tratamento de esgoto: estações precisam de interligações e redes na Baixada Fluminense
Reprodução Jornal Extra


As informações foram adiantadas pelo jornal Extra, neste domingo (11/9), que ouviu fontes participantes da negociação. Segundo a reportagem, os calculos preliminares apontam para o metro cúbico da água na capital em valores de custo bem maiores que os praticados atualmente. Quem vai pagar pela mudança será o consumidor final, ou seja, a população. 


O vereador Marcio Garcia considera a proposta de privatização um grande equívoco do governo em exercício de Francisco Dornelles (PP). O parlamentar faz a sua análise tanto pelo ponto de vista da economia regional quanto pela violação dos direitos dos servidores e da sociedade. 


"A agenda deste governo está priorizando as privatizações, enquanto a sua obrigação seria proteger os bens públicos. O certo é buscar caminhos para resolver a crise sem colocar na mesa de negociação o patrimônio do Rio. A dívida fluminense deveria ser renegociada e não usada como saída para favorecer grupos privados. A água é recurso natural dotado de valor econômico e direito humano fundamental. Em nada esta medida [da PPI] vai oxigenar os cofres públicos do estado, que foram saqueados pela corrupção e má administração deste governo", afirma o vereador.

Para Garcia, as negociações com os grupos privados criam um clima de insegurança no funcionalismo, que já  vem sofrendo com os recorrentes atrasos salariais. Além disso, a possibilidade de aumento na conta de água deve atingir em cheio outra classe social: a de baixa renda nas comunidades. 

"A ganância e sede de privatização enriquecem ainda mais determinados setores e afunda a população que mais precisa de apoio governamental", acrescenta o parlamentar, lembrando que a atual presidente do BNDES, Maria Sílvia Bastos Marques, foi uma das maiores incentivadoras das privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário