terça-feira, 12 de julho de 2016

O retrato de uma cidade refém da violência

“Estou deitada na cama de um quarto de plantão. Trabalhei por 20h e, mesmo assim, não consigo dormir. Só chorar”. O relato é da médica que trabalha no Hospital Naval Marcílio Dias e fez o atendimento ao soldado da PM Victor Eric Braga Faria, de 26 anos, morto por criminosos na noite do domingo (10/7), no momento que passava em uma viatura da corporação por uma das vias principais do Engenho Novo, na Zona Norte da cidade. 


    Carro de policial morto na zona norte foi pichado pelos autores do crime

A consternação da médica não é tão forte quanto a dos familiares de Victor e dos outros 60 agentes da Segurança Pública assassinados somente neste ano, mas reflete o sentimento de insegurança e desequilíbrio emocional de uma sociedade refém da violência sem limite. Nesta terça (12), a população do Rio despertou, mais uma vez, com a notícia da morte de um PM e de dois moradores da "Cidade Olímpica" atingidos por balas perdidas.




O policial militar aposentado Carlos Magno Sacramento foi o 60º agente do setor morto em 2016. O fato aconteceu durante uma tentativa de assalto em um bar na Rua Governador Silveira, no bairro Apolo III, em Itaboraí, na Região Metropolitana. A contabilidade macabra está sendo feita pela Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e motivando uma série de atos contra o governo do Estado e em defesa da segurança dos agentes.


No domingo (10) as esposas, familiares e amigos de policiais militares e civis ocuparam a orla do Rio para protestar contra a onda de assassinatos e pedir melhores condições de trabalho para a categoria. Segundo os policiais militares, as Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) instaladas nas comunidades estão sem as mínimas condições de higiene e até os armamentos disponíveis para a tropa estão muito aquém da capacidade para enfrentar os últimos confrontos contra os criminosos. Além disso, a corporação atravessa um longo período de grave crise financeira, sem verbas para abastecer as viaturas e manter em dia os salários dos policiais.





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