quarta-feira, 6 de julho de 2016

Apesar de aprovarem UPPs, moradores acreditam que projeto acaba após as Olimpíadas

Um amplo estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) traçou um novo mapa qualitativo sobre as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio de Janeiro. Apesar de a maioria (75%) dos entrevistados na pesquisa serem favoráveis ao projeto de policiamento comunitário implantado em 2008, 43% dos moradores acreditam que o projeto foi feito “para inglês ver” e que, por isso, será extinto após as Olimpíadas deste ano.

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A pesquisa mostra uma curiosidade. Nas UPPs classificadas como mais antigas (implantadas entre 2008 e 2012), os resultados positivos são mais significativos. Naquelas postas em funcionamento a partir de 2012 até este ano, a avaliação dos moradores é pior. A rejeição nestes casos é maior, com um significativo número de pessoas a favor, até mesmo, da extinção do projeto.

Foram ouvidos dois mil moradores em 20 comunidades – cem em cada uma delas. A pesquisa, que mostra um raio x importante do principal programa de segurança pública do Estado nos últimos anos, foi intitulada “Dimensionamento dos impactos sociais das UPPs em favelas cariocas”.

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Em entrevista à imprensa, o coordenador da FGV Opinião, márcio Grijó, destacou que há muitas críticas ao projeto, mas mesmo assim, as pessoas aprovam a implantação das UPPs. Ele afirma que é “um mito acreditar que os moradores apoiam o tráfico”. O levantamento ainda mostra que os locais em que as UPPs são mais mal avaliadas são aqueles em que voltaram a acontecer os confrontos entre policiais e traficantes.


Não acaba
Em nota divulgada à imprensa, a Secretaria Estadual de Segurança afirmou que o projeto seguirá após os Jogos do Rio – que começam em 5 de agosto e vão até o dia 21 do mesmo mês. O estudo aconteceu em duas etapas: a primeira foi entre abril e junho de 2014, acompanhando a avaliação nas chamadas UPPs antigas. A segunda fase dos trabalhos aconteceu entre novembro de 2015 e janeiro deste ano junto às UPPs ‘recentes’.

Nas UPPs mais antigas, 36,7% acham que o projeto não trouxe melhorias para o cotidiano dos moradores. Já nas mais recentes, essa é a avaliação de 50,9%, o que confirma o fato de as novas UPPs estarem pior avaliadas pela pesquisa.

O programa de pacificação do Rio foi o principal investimento do governo Sérgio Cabral a partir de 2008. Nos últimos anos, no entanto, o programa apresentou problemas sérios e a rejeição da população começou a ficar mais latente. A crise econômica a partir do final de 2014 e o enxugamento dos investimentos em segurança também contribuíram para a piora na percepção da população em relação ao projeto. Para se ter idéia do tamanho do problema, só este ano a expectativa é que o corte no orçamento da segurança seja de 30% em relação ao ano anterior.


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