segunda-feira, 6 de junho de 2016

Comandante das UPPs confirma traficantes no Alemão e culpa crise financeira pela violência


Em reportagem especial publicada pela Folha de São Paulo nesta segunda-feira (6/6), o comandante do projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), coronel André Silva, admitiu que a pacificação "é um processo lento e difícil, que não se consolida do dia para a noite". O militar ainda confirmou a presença de traficantes no Complexo do Alemão, na zona Norte da cidade, e atribuiu a violência na região nas últimas semanas à crise econômica no Estado e na Secretaria de Estado de Segurança.
Complexo do Alemão vem sofrendo com constantes tiroteios. Foto: Fotos Públicas
O clima de insegurança em uma das maiores comunidades cariocas - o Complexo do Alemão - foi o tema principal da reportagem da Folha, que teve como pano de fundo a realização dos jogos olímpicos Rio 2016. A publicação destaca a valorização da ocupação pelas tropas militares em 2010 pelo Estado, levando o lugar ao patamar de cenário cinematográfico. No entanto, a poucos meses das Olimpíadas o Alemão, mesmo estando na rota dos locais de competição, vem sendo palco de constantes conflitos violentos entre policiais e traficantes, apesar das quatro UPPs instaladas na região. A crise financeira é colocada como conjuntura ideal para o acirramento da guerra entre forças policiais e criminosos que querem restabelecer os pontos de venda de drogas.

A reportagem apresenta os números da violência, reproduzidos de um jornal local - o Voz das Comunidades. Segundo os dados, foram oito mortes ocorridas somente este ano, sendo sete de moradores e um policial militar. Outras 20 pessoas teriam ficado feridas nos tiroteios - 13 moradores e 7 militares. A rotina que ficou distante da realidade dos moradores por muitos anos, retoma com a necessidade de mudanças de hábitos, tanto no Complexo quanto no seu entorno. Além da queda já constatada nas atividades econômicas. 

"O Alemão está melhor do que antes da criação das UPPs, mas a violência não saiu de lá. O pior é a ideia de derrota deste projeto de pacificação. A cidade fica com a sensação de que nada dá certo", disse para a entrevista a Folha a cientista social Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes. 





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