domingo, 8 de maio de 2016

Rioprevidência e a polêmica offshore: especialista aponta dados suspeitos

A sexta-feira 13 de maio deve ser de infortúnio para os servidores da rede estadual do Rio. A previsão temerosa não se dá pela lenda urbana, mas pelas informações do secretário de Estado de Fazenda, Julio Bueno, que adiantou na última quinta (5) que o governo está sem dinheiro para pagar o funcionalismo público. Pelo calendário de pagamento - já adiado - os benefícios deveriam ser depositados no décimo dia útil - 13 de maio, mas devem atrasar novamente. As expectativas negativas alimentam as polêmicas em torno do Rioprevidência e a sua offshore aberta no exterior, no caso dos aposentados e pensionistas, que devem ficar mais tempo sem receber.

A offshore Rio Oil Finance Trust Pension Fund, que opera em favor do Rioprevidência no paraíso fiscal de Delaware, nos Estados Unidos, já causou dívidas para o fundo e dúvidas aos seus representantes: aposentados e pensionistas do Rio. A pergunta que não quer calar: como foram investidos os US$ 3,1 bilhões captados pela empresa desde 2014?


O portal consultou um especialista para avaliar os pontos que envolvem a atuação da offshore nos EUA e as razões para a sua criação, tendo como fonte a própria página do Rioprevidência na internet. "Todos os indícios nos levam à existência de um mar de irregularidades no Rioprevidência, provavelmente muito maior que o Petrolão [nome dado ao esquema de corrupção envolvendo partidos políticos em desvio de fundos da Petrobras]", afirma o economista Aurélio Valporto, presidente da Associação Nacional dos Investidores Minoritários. 

Depois de analisar os relatórios de auditorias feitas em torno das atividades do Rioprevidência no exterior, Valporto frisa que "há muitas coisas suspeitas". "Contabilmente, observamos uma grande movimentação na conta 'Fundos de Investimento', que deveria ser profundamente investigada. É extremamente suspeita a intensa movimentação do imobilizado, especialmente da conta 'Imobiliários Rioprev', durante o ano de 2015. Como que um fundo com problemas de liquidez aumenta seu imobilizado neste ano? Não tem a menor plausibilidade, algo muito estranho levou os administradores a isso. É de se notar, também, a falta de parecer dos auditores independentes, relativo ao exercício de 2014 e 2015", avalia Valporto.

No campo político, o economista relembra fatos "estranhos" que podem estar relacionados à operação de captação dos US$ 3,5 bilhões nos EUA, o que levou a abertura da offshore. "Não deixa de ser igualmente suspeito o esforço do Picciani[presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB)], que impediu a criação de uma CPI para investigar o Rioprevidência. Quem não deve não teme, por que esconder da população e, principalmente, dos seus cotistas o que acontece dentro desta 'caixa preta'?", diz o especialista. 

Reprodução Internet / Site Rioprevidência

Um comentário:

  1. Então porque ainda descontam dos Inativos e Pensionistas se não querem pagar.Onde está Cabral para explicar?

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