segunda-feira, 9 de maio de 2016

Réu em processo de improbidade, Beltrame busca R$ 9 bi na Alerj

"UPP, Uma Farsa Eleitoral". A obra escrita em 2014 pelo ex-corregedor da Polícia Militar no Rio de Janeiro, Paulo Ricardo Paúl, resume em 170 páginas a inviabilidade da "menina dos olhos" da Segurança Pública do governo peemedebista no Estado: as Unidades de Polícia Pacificadora. A pasta gerida por José Mariano Beltrame há nove anos foi a que mais recebeu recursos das esferas governamentais e da iniciativa privada. No entanto, episódios de violência como os que tomaram conta do Rio desde a última quinta (5/5) e medidas administrativas "questionáveis", vindas do próprio secretário, mais parecem com as "premonições" do coronel Paúl em seu livro. 
Livro UPP Uma Farsa Eleitoral

"As UPPs são insustentáveis", afirma o coronel na obra. "O objetivo unicamente eleitoral do atual governo [do governador Sérgio Cabral (PMDB)] destruiu o projeto de ocupação das comunidades carentes do Rio de Janeiro com grandes efetivos, iniciado com os GPAEs", especifica o oficial. Na audiência pública da Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), realizada na última sexta (6/4), o secretário Beltrame adiantou que novas sedes de UPPs só devem ser implantadas em 2017, 'porque depende de doações da Alerj'. O investimento no setor de Segurança estava relacionado ao legado das Olimpíadas 2016.  

Um dia antes, na quinta (5), Beltrame afirmou na Alerj que precisa do orçamento total destinado à Segurança Pública - R$ 9 bilhões - para atender a população no período pré-olímpico. A legitimidade do pedido do secretário é questionada por Paulo Ricardo Paúl. "O secretário Beltrame é réu em processo de superfaturamento de contratos, crime de improbidade administrativa. Como ele pede dinheiro? E, pior, se a Alerj acatar este absurdo", destaca o coronel. 

Em outubro de 2015, o juiz Marcelo Martins Evaristo, da 7ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Rio, acatou a denúncia de improbidade administrativa contra Beltrame, oferecida pelo Ministério Público do Estado (MPE). Segundo o MP, o secretário é responsável por dois contratos supostamente superfaturados na aquisição e manutenção de viaturas da Polícia Militar, firmados entre 2007 e 2008. A decisão do magistrado, porém, não delibera sobre o pedido do MP em que Beltrame teria que devolver aos cofres públicos o valor de R$ 130 milhões, nem acerca da perda da sua função - de delegado da Polícia Federal - também solicitado na ação do MP. 
Reprodução do livro UPP Uma Farsa Eleitoral


>> Rio: investigada por superfaturamento de viaturas foi funcionária do Detran



Violência e insegurança deixa população refém da criminalidade

Na mesma quinta (5) em que José Mariano Beltrame ocupou a Tribuna da Alerj para pleitear verbas para a sua secretaria, uma onda de violência tomou conta da cidade. Em menos de 24 horas, quatro policiais foram baleados em confrontos com criminosos em diversos pontos do Rio e da Baixada, três deles não resistiram aos ferimentos. Em outras ações policiais no Rio, moradores foram atingidos por balas perdidas em um fim de semana violento. O caso de maior repercussão foi da adolescente Ana Beatriz, de 17 anos, que morreu em um dos trechos da Linha Amarela, na altura de Del Castilho, no sábado (7), no momento que o seu padastro tentava escapar de um bloqueio feito por marginais. 

Em meio ao fogo cruzado, o secretário de Segurança disparou: "As pessoas que atirarem na polícia vão levar tiro também". O comentário foi feito enquanto Beltrame acompanhava o enterro do sargento da PM André Luiz Vaz Nonato, de 29 anos, morto durante a operação do Bope no Morro da Providência, no Centro, na noite de quinta (5). 

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