terça-feira, 24 de maio de 2016

'Não há recurso suficiente para atender o cidadão em todas as suas necessidades'. Beltrame justifica crise no RJ pelo cenário nacional

"Esta questão de que o estado é o responsável e o estado tem que dar conta de tudo isso, na minha opinião, não cabe mais no século XXI. O estado brasileiro, não é nem o Rio de Janeiro, ele não tem mais condições de atender o cidadão em todas as suas necessidades. Não há recurso suficiente para isso". O discurso partiu do secretário de Segurança Pública do Rio José Mariano Beltrame, nesta terça-feira (24/5), em entrevista feita pelo RJTV após o secretário depor na CPI dos Autos de Resistência na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Beltrame comentou os novos resultados acerca dos índices de criminalidade, divulgados recentemente pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), que aponta aumento de 15,9%, assim como as ocorrência por "autos de resistência".  

O secretário defendeu mudanças na legislação, pelo fato das "pessoas não respeitam mais a lei penal". Foi além, fez uma escalada englobando outros setores da sociedade para justificar a ruína dos investimentos da sua pasta e pediu a ajuda da população. "Está aí o problema da Previdência, estão aí as questões tributárias, as questões de falta de infraestrutura em várias cidades e, também agora, obviamente, isso chegou na questão da polícia. Então eu acho que é o momento da sociedade também tentar ajudar dentro da sua possibilidade, mas vejo com muita frustração", comentou.

Na Alerj, Beltrame alegou que, para mudar a realidade dos números, a sua secretaria está investindo em maior tempo de treinamento dos policiais, para que eles deem mais tiros na academia do que nas ruas. E considerou ser muito difícil mudar a mentalidade de uma polícia que estava acostumada "a receber a gratificação Faroeste". 

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Beltrame não descarta entregar o cargo após os jogos olímpicos. Ele considerou que a medida, se acontecer, será de "foro pessoal". E disparou: "Todo mundo sabe que tenho motivos de sobra para estar desanimado. Há dois anos que não se governa neste país. Só se ofende e se defende". 

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