terça-feira, 12 de abril de 2016

Sem dinheiro para passagem, bombeiros andam mais de 50 km para chegar ao trabalho

Mais de sete horas de caminhada e nada mais nada menos que 55 km percorridos. Foi esse o percurso que os cabos Felipe Aguiar, de 31 anos e Ângelo, 27, fizeram nesta terça-feira (12) de Xerém, na Baixada Fluminense, até a entrada do túnel Rebouças, na Zona Sul do Rio. A verdadeira maratona aconteceu a exemplo do que foi registrado no final da semana passada com outro bombeiro. Duas histórias e o mesmo drama: sem dinheiro para pagar a passagem, os bombeiros decidiram, num ato de desespero, partir a pé para o seu local de trabalho.

A saga registrada nesta terça-feira começou cedo, às 5h30. A dupla saiu de Xerém em direção a Copacabana, para chegar ao 3º Gmar, onde servem, e só foram resgatados por uma viatura do Corpo de Bombeiros já no Rebouças por volta das 13h. Segundo informações de pessoas ligadas ao cabo Felipe, a última vez que o profissional recebeu a ajuda de custo de R$ 100 para o transporte foi no sétimo dia útil do mês passado. Conclusão: o dinheiro da passagem acabou há tempos. Daí a medida extrema ter sido tomada.

Informações extra-oficiais dão conta de que o cabo Felipe já chegou a solicitar transferência de local de trabalho, de Copacabana para Xerém, no quartel que se localiza próximo à Reduc. O grupamento fica a cerca de meia hora de sua casa e ele poderia, inclusive, se deslocar de bicicleta. Até o momento, o pedido não foi aceito. O deslocamento entre o município da Baixada e a zona sul do Rio requer um gasto médio diário de passagem de cerca de R$ 20.

Bombeiros caminham de Xerém a zona sul para trabalhar. Fotos: Reprodução

Risco de punição

Agora, o receio da dupla de bombeiros é, além da situação financeira grave que enfrentam em função de atrasos de salários e benefícios, ter que se deparar com uma possível punição pelo ato desesperado desta terça-feira. Pessoas próximas a eles receiam, inclusive, que sejam punidos duplamente, já que o horário em que deveriam chegar a Copacabana era por volta das 8h30.

O vereador Marcio Garcia (REDE) está apoiando os servidores do Corpo de Bombeiros e mostrou-se preocupado com possíveis punições que os dois possam vir a sofrer. “É um absurdo a situação chegar neste ponto. As pessoas só querem um mínimo de dignidade para cumprir com a rotina de trabalho dos bombeiros”, desabafou o vereador, que é major dos Bombeiros.

Na última semana, Garcia entrou com um pedido de Habeas Corpus preventivo na justiça para tentar evitar uma punição a outro membro do Corpo de Bombeiros, o cabo Cruz. Na semana passada, o servidor saiu a pé para o trabalho também por não ter o dinheiro da passagem disponível.

 O parlamentar espera que essa ação, por via judicial, preserve o bombeiro. A expectativa é que a decisão sobre o pedido saia ainda esta semana.


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