quinta-feira, 21 de abril de 2016

Rio Olímpico: diretor da empreiteira da ciclovia que desabou é avô do secretário Especial de Turismo

Após considerar como "desastre inaceitável" o desabamento da ciclovia inaugurada em janeiro deste ano em São Conrado, na zona Sul carioca, o secretário de Coordenação de Governo, Pedro Paulo de Carvalho, culpou a ressaca pelo acidente. A queda aconteceu por volta das 11h30 desta quinta-feira (21/4) e duas pessoas que passavam pelo local morreram. Bombeiros procuram por uma outra terceira vítima. A empreiteira responsável pelas obras da ciclovia, a Concremat, é uma das investigadas na operação Lava Jato e tem como diretor-presidente Mauro Viegas Filho, avô do secretário Especial de Turismo, Antônio Pedro Viegas Figueira de Mello.
Bombeiros resgataram dois corpos do mar depois do acidente. Foto: Via WhatsApp

"Em princípio achamos que pudesse ser um problema nas vigas, mas elas estão intactas. Por isso, achamos que foi a força da onda de baixo para cima levantando o platô", disse Pedro Paulo. Segundo o engenheiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-RJ), Antônio Pedrosa, pode ter havido uma falha no projeto, já que no trecho afetado só havia uma viga e autores não devem ter levado em conta a resistência às ondas. 

A empresa Concremat, responsável pelas obras, já esteve envolvida em suspeitas de licitações fraudulentas. Em 2013, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) anunciou novo contrato para execução das obras na segunda fase de construção do corredor expresso TransOeste. As vencedoras para gestão de obras foram as empreiteiras Concremat e Sanerio. A primeira, favorecida também com a construção da ciclovia, tem como diretor-presidente Mauro Viegas Filho, avô do secretário Especial de Turismo da prefeitura do Rio, Antônio Pedro Viegas Figueira de Mello. Murilo de Mello Campos, que integrou a comissão de fiscalização do Estádio Mineirão para a Copa, também faz parte do quadro societário da Concremat. Já a Sanerio é investigada por improbidade administrativa no Ministério Público Federal desde 2011, em caso que envolve obras no Parque Aquático Maria Lenk, construído para o Pan-Americano em 2007.

"Diferente da ressaca no mar, que passará em alguns dias, a que atinge o Rio deve levar mais tempo, pelo menos até o dia em que tivermos no Estado uma operação Lava Jato, para passar a limpo mais uma década de gestão do PMDB", afirmou o vereador Marcio Garcia (Rede), se referindo ao episódio da tragédia e à negligência da prefeitura.
Ciclovia inaugurada em janeiro pela prefeitura desaba e mata duas pessoas em São Conrado. Foto: Via WhatsApp

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