terça-feira, 19 de abril de 2016

No seu dia, indígenas criticam entraves para criação de Centro de Referência

Se tudo tivesse dado certo, seria inaugurado no Rio, exatamente nesta terça-feira, dia 19 de abril de 2016, o Centro de Referência da Cultura dos Povos Indígenas, também chamado de “Museu do Índio”. O centro deveria funcionar a partir desta data no local onde existia a antiga Aldeia Maracanã, ao lado do emblemático estádio de mesmo nome. Mas a promessa ficou apenas no papel.

Três anos após a desocupação da Aldeia, o Governo do Estado não concretizou o projeto, que transformaria aquela área na Zona Norte da cidade num importante ponto de propagação da cultura indígena. O argumento: falta de verbas para colocar a proposta de pé.

    Divulgando hábitos e conhecimento: indígenas participaram nesta terça-feira da Semana Cultural na Biblioteca Parque

Neste Dia do Índio, representantes de várias etnias que vivem no Rio de Janeiro voltam a cobrar uma solução para o impasse. A esperança das lideranças é que o projeto não se perca com o tempo e o Centro venha a se tornar realidade. O cacique Carlos Tukano, presidente da Associação Indígena Aldeia Maracanã, lembra que, no final de 2013, o Executivo estadual assinou um decreto garantindo a instalação do centro.




Durante participação na Semana Cultural Indígena, realizada nesta terça-feira na Biblioteca Parque Estadual, no Centro da cidade, Tukano comentou sobre a situação atual e cobrou providências: “continuamos esperando que o Governo ainda cumpra com o que ele prometeu para os povos da Aldeia Maracanã. Isso reflete em toda a sociedade indígena do Brasil. A sociedade está nos cobrando”.

Também presente ao evento, a índia Patxiá Pataxó destacou a importância do projeto. Ela lembra que o Centro ajudaria na divulgação da cultura do seu povo. Originária de uma tribo localizada em Porto Seguro, na Bahia, Patxiá ainda lamenta que as pessoas só se lembrem dos indígenas na data comemorativa, este 19 de abril. Atualmente, ela se divide entre o Rio e a Bahia, onde produz seus artesanatos e tem parentes. Na capital fluminense, a pataxó vive no condomínio Zé Kéti, no bairro do Estácio, para onde cerca de 20 famílias da Aldeia Maracanã foram transferidas.





Em sala de aula
Prima de Patxiá, Naiara Pataxó está no Rio para a série de eventos comemorativos à Semana do Índio, que vão até o dia 24 de abril. Ela vive na Aldeia Velha, em Arraial da Ajuda, também na Bahia. Na visão dela, uma das maiores carências para os povos indígenas é a propagação da cultura nas ecolas. “As aulas tinham que ensinar sobre nossa cultura. Os governos deixam muito a desejar”, critica.

As primas Naiara e Patxiá criticam descaso com a propagação da cultura 
dos povos indígenas

Naiara ainda reconhece que, na Bahia, tem menos rejeição aos trajes típicos e costumes indígenas do que em cidades como o Rio. “Na Bahia, tem muito mais respeito porque as pessoas se acostumaram”. Ela lembra, por exemplo, que, ao se dirigir de metrô para a Biblioteca Parque, foi alvo de olhares de várias pessoas.  

Atualmente existem cerca de 15 mil indígenas vivendo só no Estado do Rio, segundo o cacique Carlos Tukano. Cidades como Paraty, Maricá e Angra dos Reis são importantes polos de concentração dos povos. Na capital fluminense, a Aldeia Maracanã foi um importante símbolo na luta dos índios nos últimos anos. Depois de muita resistência e embates com o Governo do Estado, eles se viram obrigados a desocupar o local, onde tinham espaço para praticar seus rituais, fabricar artesanato e manter vivas suas manifestações culturais.

 Crianças durante Semana da Cultura na Biblioteca Parque: contato e respeito 


Hoje, muitas famílias vivem no condomínio do bairro do Estácio. Bem humorado, Carlos Tukano diz que o conjunto de apartamentos, construído dentro do programa “Minha Casa, Minha Vida”, hoje é chamado de “Minha Oca, Minha Vida”. 

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