segunda-feira, 11 de abril de 2016

"Pílula do câncer": cientista critica veiculação de relatórios e acredita na aprovação da lei

O cientista Marcos Vinícius de Almeida, um dos responsáveis pela produção da chamada "pílula do câncer", na USP (Universidade de São Paulo) São Carlos, interior de São Paulo, rebateu nesta segunda-feira (11/4) a forma de apresentação dos relatórios de pesquisas financiadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para avaliar a eficácia e segurança da composição. “O nosso composto é que tem esta ação frente ao câncer e não somente a fosfoetanolamina pura”, alega o doutor em biotecnologia da universidade, que está otimista quanto à sanção da lei que libera a fosfoetanolamina. 

Os estudos bancados pelo MCTI apontam que a molécula usada no composto não age contra o câncer e a composição possui um máximo de 32,2% de fosfoetanolamina, sendo os outros elementos químicos de impurezas. Depois da divulgação dos relatórios, o programa Fantástico, da Rede Globo, exibiu um reportagem neste domingo (10) mostrando que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a comunidade médica recomendam ao governo federal a não aprovação da lei criada no Congresso, autorizando a venda das pílulas, já que a eficácia não foi comprovada. A presidente da República tem até esta quarta (13) para dar um veredicto.  
Reprodução TV

“A forma como foi apresentado [o relatório no programa Fantástico] é tendenciosa. Eles não mostram, por exemplo, as taxas e índices de modificação. Enfim, tem uma série de dados técnicos que eu poderia falar para você, minuciosamente”, disse o cientista à equipe do portal. Marcos Vinícius frisa que o próprio relatório descarta qualquer toxidade. “Então, a gente pode ficar com a relação: se bem ela [a pílula] não faz por não apresentar melhoras, mal ela não apresenta algum”, destaca o médico.

Outro fator importante destacado pelo pesquisador diz respeito à garantia do produto. Ele frisa que, mesmo o composto não funcionando para 100% dos casos, há uma ausência total de pessoas que tomaram a pílula e vieram a óbito. "Não existe processo movido por usuário", afirma. No sentido contrário, Almeida diz que há relatos de melhora dos pacientes, como diminuição da dor, melhoria da qualidade de vida e ganho de peso. 

"Mesmo que não apresente cura para todos os tipos de câncer, como a gente [equipe da USP] já havia dito desde o início das pesquisas e isso só vai poder ser avaliado após os testes clínicos, a pílula oferece uma contundente melhora da qualidade de vida do paciente, além do fator de atoxidade, que não oferece nenhum risco ao usuário”, salienta.

A proposta do MCTI de comercializar o composto como suplemento alimentar não é vista com bons olhos pelos cientistas da USP, que insistem em cumprir todas as fases dos testes clínicos exigidos para a regulamentação da composição. “Os suplementos acabariam com os testes clínicos e com o avanço da posologia, indicação de doses, as possibilidades de cura... todo este processo”, alega Marcos Vinícius. De acordo com a Anvisa, os testes para suplementos alimentares são mais simples e, com isso, o produto chega com maior rapidez no mercado.

“A nossa luta junto ao governo é para mostrar onde ela [a pílula do câncer] não funciona [tipo de câncer que o composto não age]”, afirma. O biotecnólogo afirma que, independente da divulgação dos relatórios, os testes devem ser colocados em breve no estado de São Paulo. A equipe da USP está buscando também apoio em outros países para cumprimento dos testes clínicos. O MCTI estima um investimento de R$ 10 milhões nas pesquisas, em um período de três anos. 

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