sábado, 26 de março de 2016

Rotina na PM: Caveirão deixa a tropa doente. Seseg investiu em licitações milionárias

 
Caveirão do Batalhão de Choque da PM em péssimo estado de conservação
 As fotos recebidas pelo portal nesta sexta-feira (25/3) retratam as condições de trabalho pelas quais os policiais militares lotados no Batalhão de Operações Especiais (Bope) estão sendo submetidos no Rio de Janeiro. Os veículos blindados usados pela tropa, mais conhecidos como "Caveirão", estão em péssimo estado de conservação, com os bancos destruídos, painéis sucateados, sem higienização e sem qualquer sistema de ventilação.

"Não se pode reclamar de nada [das condições dos veículos] nos batalhões, porque tem uma hierarquia. Se reclamar, sofre as penas. E o calor lá dentro [do caveirão] causa até desidratação", disse um PM que atua na tropa de Choque. Ele comentou ainda que a aparência externa da unidade móvel engana. "Quem olha o caveirão passando acha que é a mesma coisa por dentro. Por fora ele parece estar conservado, mas a realidade é outra, bem crítica", conta.

O mesmo policial denuncia ainda uma nova prática nos batalhões, adotada por conta da crise no Estado. "Não pode mais ficar doente em dia de trabalho. Se apresentar atestado médico vai ter que compensar em dia que seria de folga", reclama. "Agora me diz, como não adoecer nestas condições? E ainda estamos sem o nosso hospital", questiona o policial.


Vereador Marcio Garcia critica preferência por pregão internacional


Uma licitação feita pela Secretaria da Casa Civil do governo de Luiz Fernando Pezão (PMDB), no ano de 2013, tendo como meta a aquisição de oito veículos táticos blindados para uso pelas polícias civil e militar no Rio, causou polêmica na Câmara Municipal. O vereador Marcio Garcia (Rede) questionou a legitimidade do Pregão Internacional, que teve como vencedora a empresa sul-africana Paramount Logistics Corporation. As unidades móveis chegaram ao Estado no dia 21 de junho de 2014, por intermédio da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Seseg). 

A justificativa para a compra dos caveirões, descriminada no conteúdo do edital, tem como fundamento a garantia de segurança nos eventos internacionais que o Rio recebeu nos últimos três anos: a Jornada Mundial da Juventude, a Copa das Confederações e a Copa do Mundo. No entanto, os veículos chegaram no Rio somente após a realização dos dois primeiros eventos e meados da Copa do Mundo, em 2014. O valor aprovado em licitação foi de R$ 22,3 milhões.
Na época, o vereador Marcio Garcia considerou que "pode ter acontecido uma manipulação nesse Pregão Internacional para afastar as possibilidade de participação de empresas brasileiras e seleção de projetos nacionais, como o Vespa 2, que seria uma alternativa muito mais barata para o país". O Vespa 2, citado por Garcia, é um protótipo de blindado fabricado pelo Exército Brasileiro em substituição dos antigos caveirões. O projeto foi desenvolvido a partir de uma ampla pesquisa com as forças policiais cariocas e, por este motivo, seria um equipamento aliado dos policiais em operações nas comunidades. O novo veículo de fabricação nacional já havia, inclusive, passado por fases de testes. O projeto do Exército foi orçado em um valor muito inferior ao apresentado pelas empresas internacionais. 
O parlamentar apontou para indícios de irregularidade e possível manipulação para tirar dos processos licitatórios os projetos nacionais. "Eles [governo do Estado] colocam exigências, como as do combustível, por exemplo, para dificultar e até impossibilitar a participação das empresas nacionais", argumentou Marcio Garcia.
Leia as reportagens especiais do Jornal do Brasil sobre o assunto: 

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