sábado, 26 de março de 2016

Rio x Planalto x Curitiba: Pezão se afasta, PMDB desembarca e Lava Jato chega a politicos do RJ

Se o governo federal fosse escolher uma música para embalar a relação com o PMDB-RJ com certeza seria: "você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão". Na corrida presidencial de 2014, a família de Jorge Picciani (PMDB), presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), colocou lenha na fogueira do racha peemedebista no Estado, o que deu origem aos movimentos Aezão e Dilmão. Os Piccianis apoiaram o tucano. 

No ano passado, a família defendeu o governo Dilma e foi presenteada com ministérios e o apoio imprescindível para eleger Leonardo Picciani líder do PMDB na Câmara Federal. A gestão de Luiz Fernando Pezão (PMDB) está em queda livre com a crise no Estado e mais uma vez o governo federal se mobiliza para garantir ajuda urgente. Pezão, na última quarta (23), recebeu a visita do vice-presidente Michel Temer (PMDB) na clínica onde se encontra internado, na zona sul do Rio, para tratar de um câncer. Temer foi recepcionado no aeroporto e conduzido até a clínica por nada menos que Jorge Picciani. 

Na quinta (24), o PMDB do Rio comunicou ao comando nacional da sigla que vai desembarcar do governo Dilma. Com a saída do bloco carioca, aumenta a preocupação do governo quanto a garantia de votação contra o impeachment. Na terça-feira (29), a sigla vai se reunir para traçar os novos rumos. Enquanto isso não acontece, Jorge Picciani já adiantou a sua posição em uma entrevista para o portal G1. Picciani teria dito ao repórter que: "Não há uma posição unânime [no PMDB], mas majoritária. Eu vou votar para sair [do governo]". 

O Rio afunda em dívidas, sem dinheiro para pagar o próprio funcionalismo - com o veto ao empréstimo de R$ 1 bi ao Estado, o servidor fatalmente não receberá o mês de abril em dia (dia este que já foi alterado por duas vezes no calendário de pagamento) -, e o governador Pezão irá se afastar por 30 dias, no mínimo, para tratar de um câncer. Quem assume as rédias do Estado é Francisco Dornelles, de 81 anos, e que recentemente também passou por uma bateria de exames. 

Na condição de governador licenciado, Pezão mantém foro privilegiado em investigações na operação Lava Jato. O nome de Pezão aparece entre 200 políticos citados em uma lista de repasse de propinas da Odebrecht, divulgada nesta semana. O ex-governador do Rio, Sergio Cabral (PMDB), também consta na relação, mas não terá a mesma sorte de Pezão no tratamento em Curitiba.

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