Governo do Rio atrasa mais uma vez salários de servidores

Mesmo com as recentes manifestações contra os atrasos salariais na rede estadual e as medidas fiscais, o governo do Rio anunciou neste terça-feira (8/3) que só vai efetuar o pagamento do seu funcionalismo na sexta-feira (11), ou seja, com um atraso de dois dias. Mais uma vez o motivo alegado pelo Executivo foi - "o agravamento da crise financeira fluminense, provocada pelo aprofundamento da desaceleração da economia brasileira", diz a nota emitida pela Assessoria do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), que ainda pede a "compreensão dos servidores".

O governador Pezão já fez mudanças no calendário dos servidores, alegando que a medida é necessária para o pagamento integral da rede. Pelo último ajuste realizado, os trabalhadores passam a receber no sétimo dia útil de cada mês, que neste mês de março seria nesta quarta (9). Este é o terceiro mês consecutivo que o estado atrasa os salários. Na quarta-feira passada (2), mais de 10 mil pessoas participaram de uma manifestação no Centro do Rio, contra as medidas fiscais anunciadas pelo governo Pezão e os atrasos nos pagamentos.  
Governador do Rio Luiz Fernando Pezão. Foto: Fernando Fazão/Agência Brasil

O comunicado do Executivo informa que o valor necessário para quitar a folha de fevereiro é de R$ 1,445 bilhão para 468.621 servidores, sendo 220.323 ativos, 153.463 inativos e 94.835 pensionistas. No entanto, não especifica o montante que ficou faltando para o pagamento integral da rede.


Nesta segunda (7), os funcionários da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) paralisaram as atividades por tempo indeterminado. Um ato público com servidores e alunos na porta da instituição marcou o início da greve. Entre os profissionais mais afetados com a falta de pagamento salarial estão os policiais militares e bombeiros. Além de não contar com os seus salários em dia, estes agentes públicos convivem ainda com a falta de infraestrutura nas suas unidades de trabalho. Na semana passada, PMs denunciaram o sucateamento nos quartéis, que não têm mais combustível para abastecer as viaturas. Já os bombeiros reclamam das condições precárias das ambulâncias do Samu, as poucas que ainda estão atendendo a população, já grande parte da frota se encontra encostada para manutenção e aguardando por peças de reposição. Na área médica o quadro não é diferente. As condições das unidades de saúde impressionam médicos e pacientes, pela falta de insumos, leitos e toda a infraestrutura básica. 

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