quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Próteses jogadas no lixo no Rio: sindicato avalia empresa que representa com exclusividade marca alemã

A companhia Technicare Instrumental Cirúrgico é citada em processos que tramitam no TJ para investigar a qualidade do material usado em hospitais públicos e privados, além de supostas fraudes em licitações  

Com a denúncia feita pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro de que próteses foram encontradas no depósito da Secretaria Estadual de Saúde com o prazo de validade vencido, volta à cena o nome da empresa Technicare Instrumental Cirúrgico, uma das responsáveis pelo fornecimento de insumos e equipamentos à diversos órgãos públicos, privados e até militar. O Sindicato dos Médicos do Município do Rio de Janeiro (SiNMedRJ) vem demonstrando preocupação com as próteses da marca alemã Urich Medical, representadas com exclusividade pela Technicare em diversas licitações no Brasil, que segundo denúncias estão se partindo nos organismos dos pacientes um tempo após a cirurgia, apesar de serem atestadas como sendo de titânio.

Em uma entrevista ao SBT nesta segunda-feira (25/1), o presidente do sindicato, Jorge Darze, disse que a entidade está avaliando fatos graves envolvendo a Technicare, que seria o uso de próteses e órteses fornecidas pela empresa e que não tem tido um bom resultado, especialmente em cirurgias ortopédicas, que seriam parafusos colocados nas pessoas e que não deveriam se partir. No entanto, os artefatos sofreram rompimentos após os procedimentos, segundo Darze. O sindicato estuda ainda suspeitas de práticas ilegais em licitações. A reportagem comenta que a empresa consta em inquérito na delegacia de defraudações, em torno de superfaturamento em contratos com o poder público.

A reportagem destaca também que todo o material encontrado abandonado pelo poder público, cerca de 7.500 itens novos e ainda embalados, incluindo medicamentos para portadores do vírus HIV, foi avaliado pelo MP em torno de R$ 2 milhões. Todos os produtos estavam com o selo da Agência Nacional de Saúde (ANS).

O nome da Technicare veio à tona em uma reportagem do Jornal do Brasil, publicada no dia 11 de abril de 2015, informando que o SiNMedRJ havia pedido investigação ao Ministério Público Federal acerca da empresa, após supostas vítimas procurarem a entidade de classe apontando fraudes e negligências que teriam sido praticadas pela Technicare. Na época, o MPF respondeu ao JB que o recurso seria analisado pelos procuradores. Logo após a reportagem, a Technicare teve o seu nome incluído na lista de empresas investigadas no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Próteses e Órteses, formanda na Câmara Federal. A companhia entrou na mira do deputado federal Aureo Lídio (SDD/RJ), que teve acesso aos processos contra a companhia e tramitam em tribunais criminais do Rio.

A reportagem do JB destaca que as ações nos juizados criminais foram movidas por pacientes que afirmam ter tido o artefato implantado nos seus organismos, em hospitais das redes privada e pública, e ficaram com sequelas após a quebra. O JB ouviu ainda um médico ortopedista que se diz vítima de 'uma máfia que funciona dentro dos hospitais, envolvendo representantes da Technicare e médicos'. Durante a entrevista, o ortopedista conta como funciona o suposto esquema que ele tomou conhecimento.

Veja a reportagem na íntegra:

Sindicato dos Médicos pede investigação ao MPF de empresa de prótese no Rio

Parafusos estão quebrando nos organismos dos pacientes e advogados suspeitam de “indicações”



Próteses utilizadas em pacientes e que romperam. Foto: Douglas Shineidr / Jornal do Brasil

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Assista a rertagem desta semana do SBT:




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