terça-feira, 4 de novembro de 2014

ESTUDIOSOS DE SEGURANÇA FAZEM SEVERAS CRÍTICAS AO SECRETÁRIO BELTRAME



Pezão optou por não reformular a segurança pública no estado do Rio de Janeiro e manteve o secretário Beltrame, apesar da violência que se espalhou e do fato dele ter sido denunciado pelo Ministério Público por improbidade administrativa e superfaturamento de contratos.
Salvo melhor juízo, o Rio é o único estado que tem como secretário de segurança alguém denunciado pelo MP por crimes contra o erário público.
Hoje, o Jornal do Brasil publica matéria sobre a permanência de Beltrame, onde estudiosos do tema segurança pública fazem críticas ao único projeto do secretário: as UPPs.

"(...) Para Michel Misse, do Núcleo de Violência Urbana da UFRJ, a opção de manter Beltrame no cargo foi óbvia porque “ele é o idealizador do projeto e está alinhado com ele”. Perguntado sobre quais estratégias o estado deveria adotar para evitar que a situação de violência nas comunidades com UPPs se repita na instalação de outras unidades, Misse é crítico. “É preciso reformar a polícia. É preciso uma polícia cidadã, que trate o morador da favela de igual para igual, sem humilhações, sem abusos... É preciso que a polícia traga o morador para o seu lado. Quando isso acontecer, não precisaremos de UPPs”. 
Para o cientista social da UFF, Elionaldo Fernandes Julião, antes de prosseguir com as instalações das unidades, é preciso retomar o projeto inicial das UPPs. "A gente sabe da importância da proposta. A forma como conduziram é que foi complicada", iniciou. 
Elionaldo justifica pontuando o que acredita que precisa ser repensado. "É preciso retomar as questões centrais do projeto. Por exemplo, a atuação social das UPPs dentro das comunidades. Da maneira como foi conduzido, virou maquiagem, paz para inglês ver. Então é preciso dar mais atenção a essas políticas sociais", avaliou. 
O cientista social compartilha do mesmo pensamento de Michel Misse sobre a formação dos policiais que atuam nas UPPs. "Essa formação é frágil. É preciso rever a seleção e a formação desses profissionais. Isso é uma questão de planejamento", pontua. 
Para Elionaldo, também é necessário rever a implementação das UPPs. "Pensar, organizar, planejar quais comunidades precisam das UPPs e como isso será feito. Não adianta, por uma questão de números e dados, colocar UPPs em todo lugar. Se for feito assim, o projeto vai acabar ruindo. Da maneira como foi feito, os próprios moradores se revoltaram e assumiram uma posição contrária às UPPs", analisou. 
Para Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da UERJ, é necessário que se faça uma “avaliação profunda do projeto da UPP e que, a partir saí, sejam tomadas decisões corretivas”. Para ele, uma das medidas necessárias é “pensar na relação entre os policiais e as comunidades”. 
Sobre a institucionalização de novas UPPs, Cano acredita que “seria melhor avaliar e pensar no que precisa ser corrigido antes de continuar”. Sobre a manutenção de Beltrame no cargo, Cano avalia que “o secretário tem uma simbologia pública de continuação. Acredito que seja uma aposta na continuidade. Por outro lado, a renovação é importante”. 
Perguntado sobre quais comunidades precisarão mais da atenção do estado em 2015, Ignácio Cano responde: “Acredito que todas aquelas que têm tiroteios constantes. O Alemão, por exemplo, nunca conseguiu alcançar o que se espera da pacificação. Na Rocinha a situação é complicada também. E existem outras, claro” (Fonte)".

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