quarta-feira, 23 de abril de 2014

"AMARILDO, CLAUDIA, DOUGLAS... E QUANTOS MAIS?" - DAVISON COUTINHO


 
Novamente, Policiais Militares estão sendo condenados publicamente no Rio de Janeiro sem que existe até o momento informação sobre qualquer prova contra eles.
Parte da imprensa e oportunistas condenam os PMs, retirando deles o direito da presunção da inocência, um direito de todo cidadão brasileiro.
É preciso respeitar os direitos dos policiais para que possamos cobrar deles que respeitem os nossos direitos.
"JORNAL DO BRASIL
Hoje às 15h19 - Atualizada hoje às 15h41
Amarildo, Claudia, Douglas... E quantos mais?
Davison Coutinho*
Enquanto o Brasil todo está focado na Copa do Mundo, a polícia está entrando nas favelas e tirando a vida de moradores inocentes, que são generalizados como marginais e recebem o fim da vida como castigo pela pobreza e miséria vivida nas favelas de nossa cidade.
Quantos mais vidas serão necessárias para que a farsa e a utopia da UPPs seja revelada? Estamos vivendo de aparências. É revoltante ver em rede nacional os comerciais do governo do estado do Rio de Janeiro mostrando favelas que não existem na vida real, apenas no conto de fadas e na balela contada pelos governantes. É tudo mentira!
A pacificação só trouxe armas e violência, o social ficou de lado, e morador de favela ao invés de receber os serviços públicos de direito básico vem recebendo é violência e repressão. O lixo continua fazendo parte do dia a dia dos moradores e a falta de água tem sido uma das maiores reclamações na Rocinha. As pessoas continuam vivendo em meio a valas e pisando na lama, o saneamento básico foi esquecido.
As promessas eram de uma vida de paz, mas estão matando nossos filhos e nossos pais, estão matando de todas as formas, seja com a violência policial ou com a falta do poder público nas ações necessárias para vida. O feriado de Semana Santa na Rocinha foi marcado pela falta de água, o que é um crime cometido contra todas essas famílias.
Até quando vamos conviver com a miséria, violência e descaso sendo tratados de tal forma. As comunidades estão vivendo um clima de insegurança. Na Rocinha perdemos uma criança e uma jovem estuprada, além do Amarildo, morto e torturado na UPP. Logo depois veio a Claudia, que teve seu corpo arrastado, e agora o Douglas, espancado e violentado até a morte e todos pagando com seu sangue a discriminação e abandono do poder público.
E em meio a manifestação contra a violência perdemos mais um cidadão vítima da política precária de nossa cidade.
Descanse em paz, Douglas. Que sua vida no céu seja repleta de luz e felicidade, e que Deus conforte o coração de todos seus familiares e amigos que hoje não suportam a dor de tamanha perda.
*Davison Coutinho, 24 anos, morador da Rocinha desde o nascimento. Bacharel em desenho industrial pela PUC-Rio, Mestrando em Design pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade, funcionário da PUC-Rio (Fonte)".

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