UPPs: QUATRO PMs ASSASSINADOS EM CINCO MESES


Manda um beijo para minha filha, que não vai dar mais não, parceiro”.
Nos últimos cinco meses, quatro Policiais Militares que estavam de serviço em comunidades ocupadas por Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), foram assassinados.
Quatro heróis, no sentido mais amplo do termo, pois só que conhece de perto o trabalho dos Policiais Militares pode avaliar os riscos que envolvem o exercício dessa profissão, isso durante as vinte e quatro horas de cada dia, pois os riscos não existem apenas no desempenho do serviço, eles existem também nos horários de folga.
Os famílias e os amigos sofrem com a dor da perda, mas os governantes e a população não demonstram o reconhecimento devido, infelizmente.
Os governantes tratam os Policiais Militares como números, nada além disso. 
Por sua vez a população não valoriza o sacrifício desses heróis, talvez em face de estar anestesiada diante de tanta violência e em razão da morte de Policiais Militares ser algo que ocorre com muita frequência no Rio de Janeiro, tento de folga, quanto de serviço.
O assassinato de um policial em serviço deveria provocar uma comoção popular, afinal ele morreu defendendo a população, nada mais natural do que esse reconhecimento, mas ele nunca se materializa.
Nem os defensores dos direitos humanos se manifestam diante dessa tragédia, o que os leva a ser rotulados como "defensores de bandidos".
Não consigo entender essa postura, eles deveriam ser os primeiros a prestar solidariedade aos amigos e familiares, mas não se fazem presente nem nos sepultamentos.
O assassinato de um defensor da sociedade deve ser considerado uma tragédia apesar de ser um fato corriqueiro no Rio de Janeiro, infelizmente.
É hora de mudanças.
Primeiro, não podemos continuar aceitando como fato normal o assassinato de um policial em serviço, isso é inadmissível diante da morte de um cidadão que arrisca a vida para defender a população.
O povo precisa aprender a prantear seus heróis.
Além dessa mudança de postura da população, a imprensa também deve mudar sua postura e passar a cobrar os resultados das investigações sobre os assassinatos de policiais, como tem feito no caso do desaparecimento do morador da Rocinha Amarildo, por exemplo.
Quem matou policial tem que ter a certeza que será preso e condenado.
Aliás, no momento que se noticia que irão criar leis para proteger o trabalho da imprensa, algo justo, não custa lembrar que é preciso criar leis para que todo crime praticado contra policiais tenha uma série de agravantes, como ocorre em outros países.
No tocante ao governo deveríamos esperar uma mudança no projeto de instalação das UPPs, pois está mais do que evidente que os erros estão destruindo o projeto. 
O fato de que quatro PMs foram assassinado em cinco meses nas UPPs é justificativa mais que suficiente para promover uma grande reformulação.
Sim, "deveríamos" esperar mudanças, mas desse governo não podemos esperar nada na direção de consertar o projeto, sobretudo nesse ano eleitoral, no qual o governo quer votos, tanto que está expandindo o projeto cheio de equívocos para a Baixada e para Niterói.
A nossa solidariedade aos familiares e amigos do Soldado PM Rodrigo.
"JORNAL EXTRA 
07/03/14 06:00 Atualizado em 07/03/14 08:27 
Soldado baleado no Alemão é o quarto PM morto em UPPs nos últimos cinco meses 
O soldado Rodrigo Paes Leme foi morto com um tiro no peito Foto: Reprodução / Facebook Rodrigo de Souza Paes Leme, baleado no peito na noite desta quinta-feira, no Complexo do Alemão, é o quarto PM lotado em UPP morto em confronto com bandidos nos últimos cinco meses. Desse total, três PMs morreram em tiroteios nos Complexos do Alemão e da Penha. Todos os PMs mortos, desde outubro do ano passado, são soldados. Desde o início da criação das UPPs, em 2009, são dez PMs mortos.
Um mês antes de Rodrigo, a soldado Alda Rafael Castilho foi morta com um tiro na barriga durante ataque de criminosos à UPP Parque Proletário, no Complexo da Penha. Na ocasião,dois carros com bandidos armados de fuzis passaram pela base da UPP atirando. O soldado Marcelo Gilliard também foi baleado na coxa, mas conseguiu sobreviver.
Também no Complexo da Penha, em novembro do ano passado, o soldado Melquisedeque Basílio Santos, de 29 anos, foi baleado com um tiro nas costas dentro de um bar, na área conhecida como Vacaria, na Vila Cruzeiro. Um adolescente, de 16 anos, e um morador também foram atingidos durante o tiroteio. PMs que resgataram o soldado contaram que o grupo foi surpreendido por 30 homens com fuzis.
Já em outubro, o soldado Anderson Dias Brazuna, da UPP Cidade de Deus, morreu na Avenida Miguel Salazar Mendes de Moraes, dentro da favela, após ataque de bandidos. Na ocasião, uma guarnição da UPP deteve dois jovens. Antes que os detidos fossem levados para a delegacia, moradores da favela fizeram um protesto e tentaram impedir a entrada dos suspeitos na viatura. Nesse momento, bandidos passaram de moto e efetuaram disparos.
Encurralado
Duas equipes de policiais foram encurraladas, nesta quinta-feira, em favelas com UPPs. No Alemão, Rodrigo de Souza Paes Leme, de 33 anos, foi surpreendido por bandidos armados com fuzis quando patrulhava a área conhecida como Chuveirinho, na favela Nova Brasília, com outros sete colegas, por volta das 18h. Ele chegou morto à UPA do Alemão. Já no Pavão Pavãozinho, em Copacabana, uma guarnição de policiais civis ficou uma hora encurralada quando ia fazer a perícia do local onde bandidos e PMs haviam trocado tiros na quarta-feira.
De acordo com PMs que auxiliaram no socorro, Rodrigo mandou um recado para a família ao chegar na UPA: “Manda um beijo para minha filha, que não vai dar mais não, parceiro”, avisou. Rodrigo tinha o brasão da Polícia Militar e sua matrícula na corporação tatuados no braço direito. Ele era formado há cerca de dois anos e será enterrado às 15h30m desta sexta-feira, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste do Rio.
Segundo o major Glauco Schorcht, comandante da unidade, três equipes da Nova Brasília faziam um patrulhamento na região quando um dos militares passou mal. Neste momento, segundo o comandante, todos desceram para buscar socorro. Quando os PMs passaram por uma região conhecida como Inferno Verde, teriam sido recebidos a tiros e revidaram. Neste momento, Rodrigo foi atingido.
No último fim de semana, Rodrigo comemorou o aniversário de seu filho mais novo, Leonardo. Segundo Leni Machado, de 58 anos, vizinha do soldado, que morava no Parque União, em São João de Meriti, Rodrigo amava a corporação.
— Ele era um policial exemplar, que tinha orgulho de vestir a farda. Sempre saía de casa já fardado para ir ao trabalho — contou. No Pavão-Pavãozinho, agentes da 13ª DP (Ipanema) e do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) chegaram, às 10h, num local próximo à quinta estação do plano inclinado, onde bandidos e policiais da UPP já tinham trocado tiros por volta das 17h do dia anterior. Neste momento, o grupo foi alvo de disparos de bandidos e pediu socorro via celular. A quinta estação do plano inclinado dá acesso à área conhecida como Vietnã, no topo da favela. Em novembro do ano passado, o EXTRA mostrou que o local foi invadido por bandidos, que proibiam o acesso de PMs.
Somente uma hora depois do início do tiroteio, com apoio de cerca de 50 homens das 11ª, 13ª e 14ª DPs (Rocinha, Ipanema e Copacabana), e da Core, os agentes foram resgatados. Não houve presos ou feridos na ação. A Polícia Civil informou que a 13ª DP abriu inquérito para investigar os autores dos disparos (Fonte).

Comentários