SEGURANÇA: HÁ 4 ANOS, DILMA PROMETEU TRANSFORMAR O BRASIL NUM GRANDE RIO DE JANEIRO


"REVISTA VEJA
Reinaldo Azevedo
21/03/2014 às 19:01
Segurança Pública : Há 4 anos, Dilma prometeu transformar o Brasil num grande Rio de Janeiro. Manterá a promessa neste 2014? 
Caros leitores, abaixo, vocês assistirão a um vídeo de um evento no Rio de Janeiro, em 2010, com a então candidata à Presidência do PT, Dilma Rousseff, e com Sérgio Cabral, que disputava a reeleição ao governo do estado. Era o tempo em que eles andavam de braços dados, como amigos inseparáveis. A política de segurança pública do Rio era considerada um exemplo a ser seguido em todo o Brasil. Prestem atenção ao vídeo a partir de 1min30s. Transcrevo a fala da agora presidente em seguida.

 

Disse Dilma:
“A gente considera que o resultado da política aqui, dessa pareceria do governo federal com o governo estadual, aqui, com o governador Sérgio Cabral, ela construiu uma referência no que se refere (!!!) à… No que se refere basicamente à… estruturação de uma política de segurança através das Unidades de Polícia Pacificadora. É transformar territórios em guerra em territórios de paz (…) Em muitos estados, não transferiram os chefes do crime organizado para as penitenciárias de segurança máxima. Aqui foi transferido. Os daqui estão em Catanduvas, Campo Grande e Mossoró. Com isso, o que é que acontece? Você tira do presídio os líderes e os cabeças e impede que os presídios sejam transformados em plataformas do crime (…) 
Retomo
Bem, é a Dilma dos velhos tempos, com um raciocínio ainda mais confuso do que a de hoje e um vocabulário mais estreito. Mas está claro no vídeo, editado como propaganda, que a política de segurança de Sérgio Cabral era considerada exemplar.
Quatro anos depois, o Rio está em chamas. E não foi por falta de aviso. Não !, leitores, eu não acho que Cabral e José Mariano Beltrame, secretário de Segurança Pública, deveriam ter ouvido as minhas advertências. Penso que ambos, mais uma boa leva de bacanas que resolveram jogar os fatos no lixo, deveriam ter ouvido os apelos da lógica. A Internet presta uma grande contribuição à memória. 
Pesquisem neste blog e em toda parte : durante uns bons anos, na grande imprensa, devo ter sido o único crítico da política de segurança do Rio. Apanhava que dava gosto — inclusive de muitos amigos cariocas ! Alguns deles chegaram a se engajar numa pré-campanha para fazer de Beltrame candidato ao Prêmio Nobel da Paz. Sim, eu sei ! Até Arafat ganhou o seu… Mas o ridículo em estranhos dói menos do que em pessoas que a gente ama ou admira, né? 
As críticas que eu fazia às UPPs eram compreendidas ou pelo avesso ou simplesmente não eram compreendidas de modo nenhum. É evidente que eu não era — e os textos estão em arquivo — nem poderia ser contra a chegada de postos policiais aos morros. Aliás, escandaloso é que não houvesse isso no Rio. Há quanto tempo existe essa modalidade de polícia em São Paulo, por exemplo? Há décadas. Nunca foi chamada de “polícia pacificadora”. É garantia de segurança? Garantia não é. Mas não existem, em São Paulo, áreas onde a Polícia não entra, como ainda há no Rio, e todo mundo sabe disso. 
O nome “Polícia Pacificadora” sempre me irritou porque carrega consigo uma óbvia impostura, mas também uma revelação involuntária. “Pacificar” quem exatamente? Pactos de paz se estabelecem entre inimigos beligerantes, postos em pé de igualdade e considerados igualmente legítimos. Cabe hoje, como sempre coube, a pergunta : quem está de cada lado? Então vamos estabelecer a “pax” entre a bandidagem e suas vítimas, é isso? Entre a lei e a não-lei? Entre a sociedade de direito e o arbítrio do crime? 
Sim, infelizmente, sempre se tratou exatamente disto : a polícia dita “pacificadora” traz na sua origem o reconhecimento de que existe certa legitimidade no banditismo. O que se cobrava dele é que fosse mais discreto; que não tiranizasse as populações do morro; que não as submetessem a uma disciplina escandalosamente de exceção; que não saísse matando desbragadamente; que fizesse o seu tráfico, mas com um pouco mais de decoro (Leiam mais).

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