PROCESSO CONTRA ATOR NEGRO PRESO INDEVIDAMENTE É ARQUIVADO



Ontem, foi um dia duplamente especial para o cidadão Vinícius Romão de Souza, preso indevidamente por dezesseis dias.
O processo no qual ele era acusado foi arquivado pelo Tribunal de Justiça e ele pode participar com maior alegria da solenidade de formatura da turma de Psicologia da qual fez parte.
Hoje, Vinícius é um psicólogo formado, apto para exercer a sua atividade profissional.
Certamente, ele tirou lições de tudo que ocorreu, da grande injustiça que sofreu, um aprendizado que levará consigo por toda vida, mas não como uma forma de revolta, como já deixou claro em entrevistas.
A injustiça deixou marcas na vítima, será que serviu para que o Estado reavalie o seu modo de proceder no tocante ao cerceamento da liberdade das pessoas?
Todos e todas esperam que sim, pois a violência física e emocional sofrida pela vítima que teve a sua liberdade cerceada injustamente é gigantesca.
Eu, outros Bombeiros e Policiais Militares experimentamos essa violência por parte do governo Sérgio Cabral. Alguns ficaram presos por cinco dias em Bangu 1, uma penitenciária de segurança máxima, violando direitos e prerrogativas. Eles foram mantidos incomunicáveis por mais de três dias, outra violência, nem seus advogados puderam estar com eles. O autoritarismo venceu a legalidade.
Desejo que a vida de Vinícius seja próspera e que o Estado tenha aprendido uma lição.
"AGÊNCIA BRASIL
TJ do Rio arquiva processo contra ator negro preso indevidamente
A Justiça do Rio de Janeiro arquivou nesta terça-feira (11) o processo contra o ator Vinícius Romão de Souza. Ele ficou preso por 16 dias, depois de ter sido erroneamente identificado como assaltante. Depois de a vítima ter reconhecido o equívoco, a 33ª Vara Criminal do Rio de Janeiro atendeu ao Ministério Público Estadual que pedia o arquivamento do caso.
"A vítima retratou-se quanto ao reconhecimento procedido, aduzindo que teve dúvidas acerca da autoria do delito e admitindo a possibilidade de ter se equivocado”, diz trecho da decisão do Tribunal de Justiça, divulgada em nota. Com base nesse novo elemento, a sentença alega que não haveria causa para o exercício da ação penal.
Também ficou determinado na decisão que a 25ª Delegacia de Polícia Civil, que fez o registro do assalto e tomou o depoimento da vítima, continue as investigações para esclarecer a autoria do crime.
Por causa da prisão indevida de Vinícius Romão, a Corregedoria da Polícia Civil também abriu procedimento para investigar a conduta de agentes na prisão do ator. O caso causou repercussão depois que familiares e amigos do preso começaram uma campanha para provar o equívoco da vítima e falhas no inquérito, que foram classificadas como racismo institucional.
À época, ao analisar o episódio, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, disse que o racismo no país não foi superado pelas instituições de segurança pública".