segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

POLICIAIS ADMITEM NÃO TEREM O PREPARO ADEQUADO PARA ATUAREM EM PROTESTOS


 
Um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas revelou o que a realidade da atuação dos policiais nos protestos já tinha evidenciado: falta de treinamento específico.
Na pesquisa 64% dos policiais assumem que não possuem o treinamento adequado, aliás, o treinamento adequado e indispensável para poder atuar corretamente no controle dos protestos.
Quem assistiu as cenas de repressão aos protestos percebeu logo que faltava aos policiais o treinamento para agir em tais situações, um treinamento que no Rio de Janeiro só os Policiais Militares do Batalhão de Polícia de Choque possuem (ou possuíam).
Isso ficou cava vez mais claro a cada novo protesto que ocorria, como também foi logo evidenciado que a Secretaria de Segurança Pública (SESEG/RJ) não sabia o que fazer, acabando por atrapalhar o trabalho da Polícia Militar. Os mandatários da SESEG/RJ, oriundos da Polícia Federal, não sabem como atuar no controle de distúrbios civis, não foram treinados para isso, o que fez com que ao seguir as ordens vindas de cima, a Polícia Militar reprimia em demasia ou nada fazia para conter os atos de vandalismo. Quem viu essa dicotomia no modo de atuar deve ter concluído que a Polícia Militar estava perdida, quando na verdade os perdidos estavam no andar de cima.
A somo desses dois fatores não poderia ser positiva.
A falta de uma gestão correta por parte da SESEG/RJ somada à falta de treinamento específico dos policiais só poderia gerar exatamente o que nós presenciamos: o caos completo.
Urge que os policiais sejam treinados e que os mandatários da SESEG/RJ deixem o comandante geral da Polícia Militar coordenar as ações, pois o mando deve caber ao mais competente para o cumprimento da missão.
Recomendo a leitura do estudo:
"O GLOBO:
Em pesquisa, 64% dos policiais assumem não ter treinamento adequado para lidar com protestos
Apenas 10% apontaram como correto o comportamento dos policiais nas manifestações
Outros 19% responderam que ‘alguns colegas não agiram da forma certa, mas não se pode generalizar’
Publicado: 2/02/14 - 8h00
Estudo da FGV mostra o que os policiais pensam a respeito dos black blocs.
RIO - Manifestantes fugindo de bombas de gás lacrimogêneo e vandalismo eram cenas finais de um enredo que se tornou conhecido no fim de muitos protestos, desde de junho do ano passado. Sete meses depois de a população tomar as ruas, uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) revela como as próprias forças de segurança se sentem despreparadas para agir diante dos grandes atos — que prometem se repetir durante a Copa do Mundo. Ao todo, 64% dos policiais militares e civis entrevistados admitiram não ter recebido orientação e treinamento adequado para lidar com as manifestações e os black blocs.
A pesquisa sobre a percepção dos policiais a respeito dos manifestantes e do movimento black bloc, produzida pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP-FGV) e obtida pelo GLOBO, fez um raio X do que pensam os policiais sobre os protestos, os black blocs e sua própria forma de agir diante deles. Foram feitas 5.304 entrevistas, sendo 4.499 com policiais militares e 805 com policiais civis de todas as regiões do país. O levantamento foi realizado pela internet, a partir de um cadastro que reúne nomes desses profissionais de todo o Brasil, entre 26 de novembro de 2013 e 14 de janeiro deste ano.
O despreparo revelado pelos praças e oficiais na condição do anonimato do levantamento explica outro percentual: o dos 69% que disseram que os agentes agiram como foi possível, devido às circunstâncias.
— Os policiais se sentiram tendo que improvisar diante de uma situação inesperada — afirmou o diretor da DAPP-FGV, Marco Aurélio Ruediger, responsável pela pesquisa.
Apenas 10% apontaram como correto o comportamento dos policiais nas manifestações, enquanto outros 19% responderam que “alguns colegas não agiram da forma certa, mas não se pode generalizar”. Na hora de atribuir a alguém a responsabilidade sobre a maneira como operam nas manifestações, os policiais não colocam na própria conta nem na do comando ou na das secretarias de segurança. A maioria (60%) indicou que a atuação da tropa é determinada pelos governos estaduais.
Um exemplo evidente desse despreparo ocorreu no dia 14 de junho, quando o fotógrafo Sergio Silva, de 31 anos, que cobria as manifestações em São Paulo, foi atingido por um tiro de bala de borracha, perdendo o olho esquerdo. O mesmo aconteceu à publicitária Renata da Paz, de 36 anos, depois de ser atingida por estilhaços de uma bomba de efeito moral durante protesto no dia 20 de julho no Rio de Janeiro (Fonte)".

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