terça-feira, 14 de janeiro de 2014

GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO E CEDAE: PROMESSAS AOS BALDES



Entre os anos de 1958-59 a Companhia Recreio dos Bandeirantes foi responsável pela implementação do projeto e venda dos lotes recém desmembrados que compunham a chamada Gleba B. O senador potiguar Georgino Avelino, então presidente do Banco do Distrito Federal, esteve entre os que acreditavam na expansão da cidade em direção ao Sudoeste, pressionando pela urbanização da área e sua venda aberta à sociedade, contratando o então jovem corretor de imóveis Sergio Castro, que promoveu a venda em lançamento da Gleba B, desde um barracão localizado junto à Pedra do Pontal, que posteriormente, ao fim do lançamento, foi vendido por Sergio Castro a um famoso restaurante.

Historicamente, todos os bairros da região da Barra da Tijuca desde sua ocupação inicial sofreram com a falta de atuação do poder público, que sempre privilegiou áreas mais densamente povoadas da cidade e integradas ao seu centro. Com isso, tanto o Recreio quanto a Barra não tiveram implementadas várias obras públicas fundamentais ao seu desenvolvimento apropriado. A Barra da Tijuca, porém, conseguiu remediar tal questão por ser um bairro construído majoritariamente pela iniciativa privada, empresas de construção e incorporação que abriram e pavimentaram vias para a implementação dos seus famosos condomínios de ruas fechadas. Já o Recreio, pela sua própria estrutura urbana (formado majoritariamente por ruas de acesso livre nas quais a iniciativa privada não tem poder) é dependente da atuação do governo local.



Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá são bairros/regiões que há décadas sofrem com a precariedade no abastecimento de água e esgotamento sanitário.
Uma das últimas promessas se deu em março de 2012 quando o Governo do Estado anunciou a criação do “moderno Centro de Controle Operacional (CCO) de Abastecimento de Água”, que daria maior eficiência ao serviço prestado naquela região. Denominado de “inédito”, o projeto beneficiaria cerca de 700 mil habitantes numa área de 300km². A inauguração estava prevista para abril de 2012, na Gerência Regional da Cedae (Rua Henriqueta, 107, no Largo do Tanque, Jacarepaguá 11h).
O CCO, que inicialmente integraria 30 pontos da distribuição de água da região, permitiria à Cedae monitorar eletronicamente o sistema em tempo real e acionar à distância as válvulas para controlar a vazão e a pressão da água. Anunciaram ainda que “no futuro chegaremos a cerca de 50 pontos monitorados. Além de garantir maior eficácia à operação de abastecimento, o equipamento representará mais economia para a empresa” - destacou o presidente da Cedae, Wagner Victer.
Ainda segundo Victer, com a automação, as operações passariam a ser programadas por um software, que permitiria a auto-operação das válvulas, reduzindo, assim, a interferência do homem: “O sistema conta ainda com sensores de linha, que colhem os dados de pressão e vazão em cada ponto, e transmitem para o CCO as informações por meio de sinal de celular GPRS” - completou.
Orçadas em cerca de R$ 10 milhões, as instalações do CCO foram viabilizadas através de um Termo de Cooperação Técnica firmado entre a Cedae e a Associação de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi). A Cedae alega que não arcou com nenhum custo do projeto, que é inédito e iria ao encontro dos compromissos do País junto ao Comitê Olímpico Internacional para a realização dos Jogos Olímpicos de 2016.
O contrato das obras de ampliação do sistema de abastecimento de água serviria para os bairros da Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Jacarepaguá, Vargem Grande e Vargem Pequena. A população total beneficiada foi estimada em 2012 em cerca de 900 mil habitantes e o prazo de conclusão da obra seria de 720 dias. O projeto consiste na construção dos reservatórios do Outeiro e Jacarepaguá, com capacidade para 20 milhões de litros cada, e a reforma do reservatório de Reunião. Além disso, também seria realizado o assentamento de adutoras, travessias, troncos distribuidores e redes distribuidoras (interligações) na extensão total de 79.892 metros.
À época, o presidente da Câmara Comunitária da Barra, Delair Dumbrovsky, lembrou que durante muito tempo foi um crítico da Cedae e que hoje é um entusiasta do trabalho da companhia. Segundo ele “de 2007 pra cá, a Cedae investiu maciçamente no saneamento da Barra, Recreio e Jacarepaguá, combateu ligações clandestinas de água e, agora, irá aumentar a oferta de água para a região”.
Outro grande entusiasta do projeto foi o presidente da Carvalho Hosken, Carlos Carvalho, que afirmou durante o evento que apresentou os planos do Governo e da Cedae que a iniciativa privada estaria disposta a ajudar o Governo do Estado nos investimentos para a região. Isso é obvio, eis que é notória a participação da referida empresa na construção do que o governo chama de “novo” bairro: o Pontal. A bolha imobiliária na região é outro ponto a ser debatido. “Caminhamos juntos no interesse de desenvolver a região de forma sustentável” - finalizou o empresário.



Recentemente a Secretaria de Estado de Obras (SEOBRAS) anunciou no site do Governo do estado nota sobre o PAC Saneamento afirmando que “as obras irão solucionar antigos problemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário, beneficiando 10 milhões de pessoas, e somam mais de R$ 1 bilhão. As obras prioritárias incluem construção de adutora, proveniente do sistema Imunana-Laranjal; novo sistema de abastecimento de água de Jacarepaguá, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes; ampliação de redes de distribuição de água; instalação de hidrômetros e ligações novas; implantação de sistemas completos de tratamento de esgoto”. Os recursos viriam do Governo Federal.
Estamos em 2014 e a população local não tem visto nada de novo acontecer. Muitos moradores do Recreio dos bandeirantes estão há quase um mês sem abastecimento de água.
As promessas são antigas. O que mudam são as desculpas e as alegadas necessidades. Governo e Cedae insistem em dizer que as obras de melhoria seriam para atender a demanda dos Jogos Olímpicos.
Será que não sabem que a população sofre há décadas?
A necessidade daqueles que pagam altos impostos, caras contas de água (pagam até mesmo pelo ar que entra – é proibido instalar equipamentos que impedem a entrada de ar) e de esgoto (muitos sequer possuem) não seria o principal motivo?
Na mesma contramão está a Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro que promete celebrar parcerias com o Executivo Estadual e Federal.
O seu carnê do IPTU chegou?
E a água?

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