BOMBEIROS, VAMOS REFLETIR!

Sou uma pessoa privilegiada. Sempre fui, e a cada dia confirmo esta afirmação. Tive o privilegio de ter uma mãe culta, dona de casa e aberta ao diálogo. Não que algumas vezes não tenha suportado merecidas chineladas ou certeiros arremessos de talheres, mas indubitavelmente minha mãe dedicou bastante tempo para nossas conversas.
Lembro com muito carinho das horas em sala de aula durante a vida escolar. Sempre questionei e discuti intensamente os tópicos em sala. Um comportamento que trás, como tudo na vida, benefícios e desafios.
O maior dos benefícios é a possibilidade de reflexão. Hoje, mais do que ontem, entendo a importância de se refletir sobre tudo. Via de regra, nós não temos a possibilidade de escolher no que acreditar. Silenciosamente, desde a mais tenra idade, nosso comportamento é moldado pelo mundo, pessoas, situações. Este conjunto de regras imposto a nós caracteriza a nossa cultura. Não escolhemos falar português, dificilmente escolhemos nosso time de futebol, como é difícil seguir uma carreira diferente da que o seu Pai planejou! Não é verdade?


A REFLEXÃO é a arma que te permite escolher, decidir que caminho seguir, escolher mudar ou permanecer o mesmo, avançar ou recuar, rever suas decisões, encontrar soluções e, finalmente, EVOLUIR.
A minha motivação para redigir este texto é a de buscar na inteligência coletiva soluções para um problema cultural gravíssimo.
Um problema criado em tempos imemoriais nas Corporações Militares e que tem dificultado muito a evolução do nosso Corpo de Bombeiros. Nossos bombeiros (OFICIAIS E PRAÇAS) são formados a partir da noção de separação, como se um grupo não dependesse do outro, enquanto que todos são importantíssimos e indispensáveis para a missão da instituição.
Nossa reflexão deve partir do seguinte questionamento: 

A QUEM INTERESSE ESSA HOSTILIZAÇÃO DE OFICIAIS PARA PRAÇAS E DE PRAÇAS PARA OFICIAIS? A QUEM INTERESSA O CONFLITO ENTRE OS DOIS GRUPOS?
É muito mais fácil responsabilizar o praça mal formado por não saber operar o desencarcerador, do que aquele que não deu condições adequadas de formação ao militar.
É muito mais fácil menosprezar todos os oficiais porque um é corrupto e desvia a verba de rancho, do que denunciar as autoridades competentes.
VAMOS REFLETIR?
Se você praça olhar o homem por traz da luva de oficial verá que lá está um ser humano como você, cheio de defeitos e qualidades, como qualquer outro, mas que teve uma oportunidade melhor e a aproveitou. Os praças não são em nada diferente dos oficiais, também cheios de qualidades e defeitos. Afinal, somos seres humanos. 


O que eu gostaria que todos entendessem nesse momento é que não existe diferença entre nós. As “diferenças” foram inventadas e são reinventadas para manter-nos distantes e fracos. 

VAMOS REFLETIR E MUDAR NOSSO FUTURO