quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

COMO MORRE UMA ESCOLA - PROFESSOR EDUARDO PAPARGUERIUS


Uma verdadeira catástrofe que acomete o povo brasileiro, governo após governo, quer seja de forma imediata, quer seja com relação ao futuro, trata-se da péssima educação pública que os governantes oferecem. 
Os maus governantes estão matando o futuro de gerações, sepultando o futuro do Brasil, quando fazem gestões desastrosas na área da educação pública nos três níveis: federal, estadual e municipal.
O primeiro passo que dão na direção de jogar o país no abismo do analfabetismo funcional, algo que se instala com uma rapidez assustadora, sem dúvida, diz respeito à desvalorização dos profissionais de educação pública.
Não bastasse isso, temos o descaso com os alunos e com as escolas.
Eu sempre me pergunto que força interna gigantesca move esses homens e mulheres que trabalham na educação pública para seguirem, diariamente, superando todas as dificuldades na busca da reversão dessa tragédia.
São seres especiais da criação divina, não resta dúvida.
Para materializar essa verdade publico o artigo do professor Eduardo Paparguerius: Com o morre uma escola.
Um lamento e uma súplica em defesa da educação pública de boa qualidade:
O DIA 
22/12/2013
Eduardo Paparguerius: Como morre uma escola
Em 2002, quando fui trabalhar no Colégio Estadual Herbert de Souza, a principal reclamação dos professores era a superlotação. De fato era duro, mas no fundo eu gostava
Rio - Em 2002, quando fui trabalhar no Colégio Estadual Herbert de Souza, a principal reclamação dos professores era a superlotação. De fato era duro, mas no fundo eu gostava. Tinha orgulho da profissão ao ver a importância que o Turano dava ao nosso trabalho. Hoje, tudo mudou: leciono para turmas com até seis alunos; nossa evasão atinge números estratosféricos. Das 20 turmas de 1ª série que começaram o ano, 12 foram fechadas ainda no 1º bimestre. As que restaram estão muito desfalcadas e a intenção dos restantes é sair do colégio em massa no ano que vem. Talvez não façam mais que uma turma de 2ª série em 2014. 
Outra: este ano fomos brindados com a inclusão no projeto de Ensino Médio Inovador, que consiste em aumentar a permanência dos alunos no colégio, das 7h às 12h para das 7h às 17h. Você certamente vai ouvir na campanha eleitoral que a educação está melhorando, que foram criadas tantas vagas de horário integral. 
Quer saber o que aconteceu na prática, cidadão? A receita do fracasso: trancafie centenas de jovens de comunidades carentes entre muros; mantenha-os com fome, servindo coisas do tipo arroz com ovo no almoço e uns biscoitos com refresco no lanche; garanta que pelo menos a metade do seu tempo seja ocioso, com muitas aulas vagas e projetos educacionais que só existem no papel. Eis o caminho para meu querido Herbert de Souza entrar na extensa lista de escolas fechadas na atual gestão. Já correm boatos que parte das instalações pode ser ocupada pela Secretaria Estadual de Educação. Quem sabe não botam lá uma delegacia, como na Rocinha? 
Meu concidadão, não deixe a nossa escola pública fracassar! Frequente as reuniões de pais, exija bom serviço. Nós, professores, não temos medo de ser cobrados, precisamos sim é do povo dentro da escola, acompanhando de perto a formação das novas gerações. Somente assim a Educação vai passar a ser prioridade de fato e não apenas no discurso demagógico de políticos.
Professor do CE Herbert de Souza, jornalista e artista (Fonte).

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