quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

CIDADES DO RIO DE JANEIRO PODEM FICAR INABITÁVEIS



O sertanejo é um forte. Quem nunca ouviu essa frase que sintetiza todas as dificuldades enfrentadas pelos nordestinos, a começar pela seca. Atualmente, podemos dizer que o cidadão fluminense é um forte. Sobreviver no estado do Rio de Janeiro é uma tarefa hercúlea. Primeiro, ele vive em um estado onde a criminalidade está em todos os lugares, inclusive nas comunidades que o governo Cabral considera "pacificadas". Um estado onde em sete anos mais de 35.000 pessoas desapareceram, onde o número de homicídios está aumentando, onde os profissionais de saúde pública são obrigados a escolher quem vai morrer e quem vai viver, em razão da falta de vagas nos CTIs e onde as chuvas provocam calamidades, uma após a outra.  
Ontem o cidadão fluminense vivenciou, novamente, o caos no Rio de Janeiro.
Tragédias que se repetem, como se fossem inevitáveis, como se não houvesse solução para os problemas, embora os governantes atuais acenaram com soluções no período da campanha eleitoral.
Hoje milhares de cidadãos do estado do Rio de Janeiro acordaram tendo apenas a roupa do corpo, perderam tudo, estão abrigados em alguma escola, igreja ou associação de moradores, sobrevivendo da boa vontade da população. Alguns deles já perderam tudo várias vezes, recomeçando do zero, insistindo em tentar viver com um mínimo de dignidade, impulsionados por uma força interior gigantesca.
Não resta dúvida: o cidadão fluminense é um forte.
Um forte que corre o risco de ver suas cidades ficarem inabitáveis.

O GLOBO 
O caos e a destruição das chuvas vistos do alto 
Biólogo Mário Moscatelli sobrevoa região Metropolitana do Rio para ver estragos 
Preocupação com a falta de política pública e ocupação desordenada de áreas de risco 
Novo cenário climático: vida de boa parte da população pode se tornar inviável em cidades do Estado do Rio 
ANTÔNIO WERNECK 
RIO - Bastaram duas horas sobrevoando o Rio na tarde desta quarta-feira para o biólogo Mário Moscatelli, 49 anos, traçar um diagnóstico sombrio depois do caos instalado pelas chuvas em várias regiões do estado. Ele acredita que a falta de políticas públicas, o aumento da população, a ocupação desordenada de áreas de riscos (como margens de rios) e o novo cenário climático podem, em pouco tempo, tornar inviável a vida de uma boa parte da população em cidades nas regiões Metropolitana e Serrana do estado do Rio. 
— Eu não tenho mais dúvidas de que os governos não estão preparados para o novo cenário do clima, com situações climáticas extremas como a que podemos observar agora, depois das chuvas fortes das últimas horas. Minha opinião: o que muita gente esperava para acontecer dentro de 20 ou 30 anos, já chegou. Isso quer dizer que muitas cidades podem se tornar inviáveis do ponto de vista econômico em pouco tempo — afirmou Moscatelli (Fonte).
Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo

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