segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Sem Perimetral, presidente do Detro prevê maior engarrafamento de todos os tempos

 Rogério Onofre chamou prefeito Eduardo Paes de “irresponsável” por ter começado a derrubar a Perimetral antes da data da implosão, prevista para o dia 17




O presidente do Departamento de Transportes Rodoviário (Detro), Rogério Onofre, previu que o Rio terá o maior nó de trânsito já registrado no Brasil na manhã desta segunda-feira. Responsável pela fiscalização dos ônibus intermunicipais que transportam diariamente cerca de dois milhões de usuários para o Centro do Rio, Onofre chamou o prefeito Eduardo Paes de “irresponsável” por ter começado a derrubar a Perimetral antes da data da implosão, prevista para o dia 17.

— Não deveriam ter começado a derrubar a Perimetral antes de se saber se o plano de mitigação dos transtornos deu certo ou não. Caso dê errado, haveria uma alternativa, reabrindo a Perimetral, até se encontrar uma solução que não sacrificasse tanto a população. Depois do que foi feito hoje, a demolição é um fato consumado e precipitado — lamentou Onofre.

O presidente do Detro disse que sua equipe técnica defendeu, em todas as reuniões, que fossem feitos testes exaustivos no sistema viário da zona portuária e na Francisco Bicalho antes da derrubada da Perimetral:

— São 70 mil veículos que passam diariamente pela Perimetral. A previsão dos nossos técnicos indica que teremos na segunda-feira o maior engarrafamento da história do país senão do mundo. Estou torcendo para que a nossa previsão esteja errada e que a dos técnicos da prefeitura esteja certa.

Rogério Onofre disse que sua maior preocupação é com os milhares de moradores da Baixada Fluminense, da Zona Oeste, de Niterói e São Gonçalo, que terão sofrimento redobrado para chegar aos locais de trabalho:

— Se conseguirem chegar ao Rio serão abandonados em pontos de baldeação onde terão que embarcar no Metrô e em outros meios de transportes. Se esqueceram que o Metrô já está saturado e de que o trabalhador vai ter que lançar mão de uma terceira perna do bilhete único depois de ficar horas e horas dentro dos ônibus engarrafados.

Onofre acrescentou que todos os técnicos do Detro estarão mobilizados desde a madrugada de segunda-feira para produzirem um relatório sobre os impactos da mudança que ele entregará ao governador Sérgio Cabral às 10h.

— Sempre fomos contra derrubar a Perimetral antes da avaliação dos impactos. Destruir o elevado antes do previsto é uma irresponsabilidade — concluiu.

Críticas de associação

A demolição de parte da Perimetral também surpreendeu o presidente da Associação dos Usuários de Transportes Coletivos de Âmbito Nacional (Autcan), Waldir Cardoso, que não poupou críticas à prefeitura:

— O prefeito não podia antecipar a demolição antes dos testes efetivos, como estava previsto no plano. Os testes feitos até agora não têm valor porque aconteceram em dias de reduzido fluxo de tráfego. A situação real vai acontecer somente nesta segunda-feira, quando dois milhões de usuários de ônibus vão tentar chegar ao Centro.

Especialistas fazem suas análises e previsões

De acordo com Miguel Bahury, ex-secretário municipal de Transportes, esta semana será crucial não só para que os motoristas se adaptem às alterações de trajeto, em função do fechamento da Perimetral, bem como para que as autoridades avaliem se as medidas implementadas serão suficientes para minimizar os impactos ao trânsito.

— Por mais simulações que tenham sido feitas, o que vai ocorrer é imprevisível. Não dá para dizer que tudo vai dar certo. Uma reavaliação poderá indicar a necessidade de mais mudanças. É bom lembrar que grandes intervenções urbanas sempre geram transtornos ao trânsito. Um simples carro enguiçado no Túnel Rebouças ou no Bárbara já afeta a circulação — diz Bahury. — Vamos ter que conviver com dificuldades. Haverá reflexos em toda a cidade, e não apenas na Região Portuária, mesmo com as rotas alternativas. Não tem jeito. A prefeitura está correta quando pede que as pessoas usem o transporte público, evitando se deslocar de carro para o Centro. É preciso usar o transporte público. Há três meses, quando saio para dar aulas no Centro vou de metrô, porque se não é o trânsito de obra é o de manifestação”.

Já José Eugênio Leal, professor de engenharia de transportes da PUC, afirma que viu várias simulações do projeto e acha que há um número de alternativas razoável.

— Mas elas têm a mesma capacidade da Perimetral? Aparentemente, não. A grande questão é como vai ser o comportamento nesse momento inicial, que depende da informação das pessoas. Uma coisa é você ter dificuldade, saber o caminho que tem que tomar. Outra, é não saber os caminhos. Pode demorar um pouco a população se dar conta dessas mudanças. Só depois de isso estar estabilizado é que saberemos o impacto real em cima do tráfego — diz o especialista. — A gente não sabe ainda o impacto e nem qual será a reação da população sobre a sugestão da prefeitura de usar mais transporte público. Não é garantido que vai ter caos total. Mas, até em função da falta de informação, deve haver congestionamentos grandes. Não sei se foi pensada a inclusão desses novos caminhos nos sistemas GPS e Google. Ajudaria muito se as pessoas tivessem, nesses sistemas e nos smartphones, as novas rotas. Bom também seria se painéis nas ruas indicassem claramente as vias.

Segue o link da matéria original, pois o editor do O Globo retirou e resguardou a imagem do prefeito, optando por uma noticia mais despretensiosa.   http://bit.ly/Perimetral3


Fonte: O Globo

Em nota a imprensa, o prefeito falou que seria uma semana complicada e pediu paciência aos cariocas; e que os mesmos utilizem os problemáticos e ineficazes sistemas de transporte público da cidade.

O prefeito mostrou incoerência com a cidade, demolindo um elevado útil e de boa conservação para construir uma via expressa com o falso propósito de revitalizar a Zona Portuária.



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