Protesto contra restrição de vans fecha vias da Zona Oeste do Rio.




Motoristas de vans fazem, pelo quarto dia consecutivo, um protesto contra a restrição na circulação do transporte na Zona Oeste da cidade. Um grupo que atua na Favela Rio da Pedras saiu em passeata pela Avenida Ayrton Senna, que tem duas faixas interditadas no sentido orla. Por conta da interdição, o motorista encontra trânsito lento na via. Desde o início da manhã, os manifestantes bloqueiam a Avenida Engenheiro Sousa Filho, que cruza a comunidade, com pneus e lixo queimados. Bombeiros do quartel de Jacarepaguá estiveram no local e apagaram o fogo, mas o trânsito segue interrompido. A Estrada de Jacarepaguá também chegou ser interditada por cerca de uma hora e meia. A via foi liberada por volta de 8h30m. Ônibus e vans são impedidos de circular, fazendo com que moradores que saem para o trabalho tenham que caminhar quilômetros para pegar um transporte. A prefeitura acredita que os manifestantes estejam ligados a milicianos.

Os manifestantes pretendem caminhar até a sede da Subprefeitura da Barra da Tijuca. Há lentidão ao longo da Avenida Ayrton Senna, com reflexos na Linha Amarela. Motoristas que se encontram no local devem fazer o desvio pela Via Sesc. As opções para quem quer chegar à Barra são a Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá ou o Alto da Boa Vista.

Em Rio das Pedras, o bloqueio impede a passagem de ônibus e vans num trecho de aproximadamente dois quilômetros da Avenida Engenheiro Sousa Filho, compreendido entre as localidades conhecidas como Muzema e Jardim Clarice. Com isso, muitos moradores optaram por andar ou ir de bicicleta até a Estrada dos Bandeirantes para pegar uma condução. Os pontos de ônibus ficaram lotados.

Apesar de o fogo ter sido apagado, a Avenida Engenheiro Sousa Filho continua interditada, porque ainda há muito material queimado na pista. Um carro de passeio que tentou passar por cima dos destroços ficou preso nos arames dos pneus que foram queimados. Policiais militares do 18ºBPM (Jacarepaguá) e do 14º BPM (Bangu) continuam reforçando a segurança no local. Agentes da Comlurb trabalham para retirar o lixo das pistas.

Em entrevista ao “Bom Dia Rio”, da TV Globo, o delegado Cláudio Ferraz, coordenador especial de Transporte Complementar do município, disse que motoristas de vans que obtiveram autorização da prefeitura para circular estão sendo aterrorizados por milicianos.

— Eles param os ônibus, a vans, e aterrorizam quem já tem autorização para prestar o serviço. A polícia está investigando quem está incentivando os protestos, mas já sabemos que há milicianos envolvidos — disse Ferraz, acrescentando que a Polícia Militar e a Guarda Municipal estão se movimentando para restituir o direito de ir e vir na comunidade.

Para suprir a demanda, o número de mototáxis circulando na comunidade aumentou na manhã desta segunda-feira. O preço cobrado pelo serviço, que era de R$ 3, subiu para R$ 5. Alguns mototaxistas chegam a cobrar até R$ 10. Segundo moradores, 230 vans operavam na comunidade, divididas em nove linhas, com uma média de 250 passageiros por dia em cada veículo. Sem as vans e ônibus, os mototaxistas chegam a fazer cem viagens por dia. De acordo com o mototaxista Camilo Souza e Silva, em dias normais são, no máximo, 20 viagens por dia.

Moradores reclamam da decisão de restringir a circulação de vans na região. Eles dizem que as vans eram os únicos veículos que levavam passageiros com problemas de saúde ou acidentados para os hospitais. Eles dizem ainda que, durante a noite, os ônibus não costumam parar para pegar passageiros. João Batista, que é artesão e mora há 30 anos na comunidade, contou que os ônibus passam superlotados e não atendem à demanda da região.

— As vans eram a única alternativa. Essa foi uma atitude impensada do prefeito. E quando tiver greve? — pergunta o morador.

O motorista de van Carlo Alberto disse que já salvou a vida de três pessoas da comunidade, quando as socorreu e levou para o hospital. Ele contou que uma grávida quase deu a luz dentro de seu veículo. Carlo reclamou do fato de ter comprado recentemente a van para trabalhar e agora ficou sem autorização para atuar em Rio das Pedras. O motorista disse que não sabe como vai arcar com as 30 prestações do financiamento do veículo.

A comunidade na Zona Oeste, que tem mais de 63 mil habitantes, sofrem com bloqueios à entrada de ônibus desde sexta-feira. Milicianos ameaçaram atear fogo nos ônibus que insistissem em transitar pela região, por conta da decisão da prefeitura de restringir a circulação de vans por algumas vias da Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá. A medida reduziu de 1.200 para 392 o número de vans autorizadas a circular pela região. O serviço é muito disseminado na Zona Oeste e explorado, principalmente, por milícias.

No mesmo dia em que a Avenida Engenheiro Sousa Filho foi fechada houve confronto entre motoristas de vans e policiais militares. Uma outra manifestação, com cerca de 60 motoristas de vans, perto de Rio das Pedras, tumultuou, sábado pela manhã, o trânsito na Estrada do Itanhangá, causando retenções.

Na Barra, as vans não podem mais transitar pelas avenidas das Américas, Ayrton Senna, Armando Lombardi e Ministro Ivan Lins. Três novas linhas começaram a operar no fim de semana: Taquara-Center Shopping, via Retiro dos Artistas, Taquara-Center Shopping, via avenida Nelson Cardoso, e Taquara-Center Shopping via Rua Mirataia. Segundo a prefeitura, outras 15 estarão operando em até cinco semanas.

As restrições ao tráfego de vans começaram em abril em bairros da Zona Sul. A prefeitura quer reduzir a atual frota de vans em circulação no Rio de 6 mil para 3,5 mil veículos.

Fonte: O Globo

E continua a covardia da prefeitura aos trabalhadores do transportes públicos. Como fica a situação da população que depende do transporte alternativo para se locomover, já que as empresas de ônibus não atendem a demanda diária de seus usuários.