sábado, 26 de outubro de 2013

Professores da rede municipal do Rio decidem suspender greve





Após duas votações coletivas e uma individual, os professores da rede muncipal do Rio decidiram, em assembleia, suspender a greve da categoria, iniciada há mais de dois meses. A decisão foi apertada, depois de uma reunião tumultuada, com episódios de briga e confusão. À tarde, o Conselho Deliberativo do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe) chegou a votar pela suspensão da paralisação. O conselho, formado em sua maioria pela direção do sindicato, ficou dividido na decisão, com um número equilibrado de votos a favor e contra o movimento. A decisão final, no entanto, dependia da votação dos professores em assembleia.

Logo na primeira hora da reunião, houve um princípio de confusão. Três homens foram retirados do local depois de representantes do sindicato terem recebido denúncias de que haveria pessoas infiltradas no encontro. Por volta das 17h30m, um grupo de profissionais de educação teve de ser retirado do ginásio. Durante a fala de um professor favorável à continuidade da paralisação, houve bate-boca e briga. Um homem, que teria sido identificado como professor do município, agrediu com socos uma aluna da rede, Cláudia Aparecida, de 35 anos. Ele teria ficado irritado com a estudante, que estaria falando durante os discursos. O professor foi retirado do local. Ela recebeu curativos e voltou para a assembleia.

Em nota, a Secretaria municipal de Educação informou que todos os acordos firmados com entre a prefeitura e o Sindicato Estadual de Profissionais de Educação do Rio (Sepe) serão cumpridos. A secretaria agradeceu aos professores que continuaram dando aulas apesar da greve.

"A secretaria também considera fundamental para o fim da greve a iniciativa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, na intermediação das negociações entre a prefeitura e o Sepe", acrescenta a secretaria.

De acordo com a secretaria, caberá à direção de cada unidade escolar dimensionar as ausências ocorridas e elaborar seu plano de reposição. Poderão ser utilizados, informa a secretaria, além do contraturno, a semana prevista para o período de recesso do mês de dezembro de 2013, os sábados e os dias em que não estejam previstas atividades regulares nas unidades escolares, horários vagos na grade escolar e também o mês de janeiro de 2014.

"É importante ressaltar que uma parcela pequena das escolas ficou sem aulas. Para esses alunos, haverá reposição de aulas de duas formas: a partir do plano de reposição de cada escola e uma recuperação emergencial de aprendizagem por meio de intensificação do reforço escolar para os mais prejudicados, leitura e dever de casa com material especificamente preparado para essa reposição, além de aulas da Educopédia", completa a nota.

Desde o início da assembleia havia bastante tensão no ambiente, com grupos que divergiam sobre a suspensão da greve e outros pontos do acordo com o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Na ocasião, a direção do sindicato firmou um acordo com a Secretaria municipal de Educação para dar fim à greve.

No começo da tarde desta sexta, representantes do sindicato se reuniram, a portas fechadas, no Conselho Deliberativo. Por causa do acordo, muitos docentes no Clube Municipal seguravam cartazes irônicos, com frases como "fomos vendidos". A greve da categoria começou junto com a dos professores do estado, em 8 de agosto. Na quinta-feira, os professores da rede estadual também haviam decidido acabar com a paralisação. As aulas foram retomadas já nesta sexta-feira.

Entre os pontos acordados pelos dois lados na reunião em Brasília está a reposição das aulas, a criação de um fórum de debates para discutir melhorias na rede de ensino, a manutenção de grupos de trabalho para debater a redução de alunos por sala e a alocação de um terço da carga horária para o planejamento das aulas. Os professores também não terão os dias de greve descontados dos salários, e a prefeitura vai abonar as multas impostas ao Sepe. Processos administrativos movidos por conta da greve serão retirados.

Na rede estadual, apesar da decisão de voltar ao trabalho, a categoria decidiu permanecer em estado de greve, ou seja, poderá parar as atividades mais uma vez, caso o acordo firmado com o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), não seja cumprido.

Fonte: O Globo

Continuaremos na luta fiscalizando se os acordos firmados na assembléia serão cumpridos pela prefeitura. 

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