INQUÉRITO CONTRARIA VERSÃO DA PM EM PRISÃO DE MANIFESTANTE



247 - O Jornal Nacional, da TV Globo, divulgou nesta quarta-feira o inquérito sobre a prisão de Bruno Ferreira Teles, na segunda-feira (22), durante o protesto perto do Palácio Guanabara. O documento contraria as versões das polícias Militar e Civil, segundo as quais 20 coquetéis molotov foram encontrados com o manifestante.

O policial que prendeu Bruno garantiu que ele não portava qualquer artefato explosivo. Segundo o PM, um manifestante não-identificado lançou o primeiro coquetel molotov e, logo depois, outra bomba foi acesa e entregue a Bruno, que a lançou.

O Ministério Público disse que está analisando o processo sobre a prisão do manifestante e que deve anunciar uma decisão na próxima segunda-feira (29).

As polícias também não chegaram a um consenso quanto à quantidade de coquetéis molotv apreendidos. Segundo a PM foram 20 os artefatos encontrados numa mochila, a cerca de 700m do local onde Bruno foi preso. Já a Polícia Civil divulgou em nota que o número era de 11 coquetéis molotov.

Bruno passou a noite preso e, no dia seguinte, foi levado para Bangu II. No mesmo dia, o presidente da comissão criada pelo governo do Rio para investigar o vandalismo em manifestações disse que o MP ia denunciar o manifestante por tentativa de homicídio. Mas na manhã de terça os advogados do manifestante conseguiram um habeas corpus, concedido pelo desembargador Paulo de Oliveira Lanzelloti Baldez, que argumentou que nenhum artefato explosivo havia sido apreendido com Bruno, e que a prisão em flagrante não tinha fundamento "idôneo e concreto".

O advogado Carlos Eduardo Cunha da Silva, que defende Bruno, diz que "não havia argumentos legais para mantê-lo preso, não havia nada de concreto, pois nada foi apreendido". "Essa é a versão dele, que ele não tinha nenhum artefato. E isso vai ser provado em juízo. O que queríamos era que ele respondesse em liberdade, e já conseguimos. Estamos reunindo vídeos e outras provas que mostram que ele não portava isso", diz o advogado. Segundo ele, Bruno mora em Duque de Caxias e é voluntário em um projeto comunitário.