Os queridinhos do prefeito do rio continuam matando na cidade maravilhosa

Com uma frota que já acumula 52 mil multas somente nos três primeiros meses do ano, uma anotação a cada dois minutos, os ônibus são os queridinhos do Prefeito Eduardo Paes. O prefeito da cidade do rio de janeiro tem  se esforçado na missão de atrapalhar vans e táxis na missão de transportar cidadãos pela cidade maravilhosa. 

O novo mandato já inaugurou um pacote de maldade contra os concorrentes dos ônibus. Legislando por decreto, um após o outro, os concorrentes dos ônibus vão sendo exterminados. A mais recente covardia atingiu em cheio os motoristas autônomos do transporte especial complementar. 

O autoritário prefeito do PMDB proibiu a circulação de vans na zona sul da cidade, e num só ato desempregou mais de 2 mil trabalhadores e deixou milhares de habitantes nos pontos de vans esperando pelos ônibus extra.

Fundamentando sua ação autoritária na necessidade de melhorar o trânsito na zona sul, substituiu 900 vans por 750 ônibus. Um deles matou mais uma pessoa este mês. A décima segunda vítima desse mês.



O dentista e triatleta Pedro Nikolay, atropelado por um ônibus na madrugada de terça-feira quando pedalava numa rua de Ipanema, expõe, na forma de tragédia, o lado mais pernicioso de um serviço — o de transportes coletivos — que, visto por determinados ângulos, mais tem desassistido que atendido à população. Por si só condenável, pelas circunstâncias em que ocorreu, o atropelamento de Nikolay junta-se a um inaceitável quadro de violência envolvendo, no mês de abril, a frota de coletivos do Rio, responsável por acidentes em que 12 pessoas morreram e 53 ficaram feridas.

Tomado isoladamente, o ônibus que matou o triatleta é uma perigosa máquina mortífera: nos últimos dois anos, o veículo acumulou 19 multas — cinco delas por excesso de velocidade e duas por avanço de sinal, infrações com grande potencial de letalidade. Mas esse perigoso perfil não constitui exceção; ao contrário, tornou-se quase padrão num sistema de transportes cuja frota registrou 52 mil multas somente nos três primeiros meses do ano, uma anotação a cada dois minutos. Não é, definitivamente, um serviço que trafega no melhor dos mundos.

Este talvez seja o viés mais dramático, mas não o único desserviço de um sistema que acumula grandes e crônicos contenciosos com a população. Registre-se, não como absolvição, mas como agravante, que, neste particular, os ônibus não circulam sozinhos: quase sem exceção, a rede estadual e municipal de transporte de massa do Rio de Janeiro é deficiente. Com graus variáveis de inoperância, as empresas rodam um programa no qual se misturam caos, leniência (do poder público, em tese responsável pela fiscalização das empresas concessionárias), desconforto, atrasos e insegurança.

Este não é um quadro novo. Ao contrário, é o retrato de uma realidade em que se pune o usuário com serviços cuja qualidade não acompanha as seguidas altas de tarifas. Portanto, pode-se dizer tudo, menos que acidentes como o que matou Pedro Nikolay sejam obra da fatalidade. Mas, de qualquer forma, medidas como as anunciadas pela prefeitura para tentar enquadrar as empresas de ônibus a normas de segurança no trânsito são, obviamente, positivas e bem-vindas.

Há a circunstância, grave, de que, tomadas ao preço de vidas humanas, soam como iniciativas tardias. Afinal, o que justifica o fato de o município não cobrar as multas? Ou a letárgica reação do poder público à afronta, das empresas, de proteger o anonimato de motoristas cujas fichas profissionais se assemelham a um prontuário? Estas são ações que devem ficar no passado. A prefeitura, por sua vez, precisa exercer de forma permanente — e não ditada por pontuais episódicos que a obrigam, por pressão, a prestar contas à opinião pública — o seu papel de fiscalizar as concessionárias e lhes exigir bons serviços.


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