APÓS UM ANO, UM MÊS E 15 DIAS DE EXCLUSÃO...

Por um excluído de sua corporação após prisão em presídio de segurança máxima... 
Sou um dos quatorze bombeiros excluídos, por mergulhar de cabeça em um processo de cunho reivindicatório, inicialmente desencadeado no ano de dois mil e onze, que gerou muitos frutos saborosos e também amargos.
Vivo a expectativa de voltar para o Corpo de Bombeiros de onde fomos subitamente arrancados, vivendo a cada dia um misto estranho de sentimentos, como misturados em um liquidificador: a saudade do serviço, dos amigos de farda, da segurança da estabilidade, do socorro propriamente dito, da vida de bombeiro que ficou para trás.
Depois de tudo o que já aconteceu, por mais incrível que pareça ser, com a graça de Deus, ainda estamos de pé, porém machucados, do golpe desproporcional que nos foi aplicado. Mas continuamos trabalhando em prol dos bombeiros, do sonhado ideal de dignidade da classe (condições adequadas de serviço, respeito dos superiores hierárquicos e salário para garantir as necessidades da família), através de outras estratégias, agora  mais seguras e racionais.
No fundo do peito sinto que não estou bem, por ter me sacrificado tanto e também a minha família, mas ainda assim, através de uma espécie de exercício altruísta, consigo, na medida do possível, no trabalho que tenho hoje, a oportunidade de contribuir, ajudar a alguns dos nossos companheiros e isso tem me dado forças para prosseguir.
Pensando no que ouço e vejo, nas visitas que frequentemente tenho feito aos bombeiros, percebo que existe um clima de natural normalidade, vida que segue. Desapontado fico, quando chego a um quartel e observo ainda militares alheios a tudo o que aconteceu e acontece, como alienados em uma embriaguez insensível. E a conversa vai: promoções, aumentos, PEC 300, escala, o coronel que é corrupto, ou o outro que é legal, a perspectiva de melhorias, gratificações, dentre outros frutos gerados pela guerra. Fico satisfeito com o sucesso de todo o movimento, mas não estarei sinceramente realizado enquanto não voltar para a corporação, para assim experimentar plenamente a felicidade pelas conquistas, até mesmo com aqueles que pouco ou  nada fizeram para usufruir de tais melhorias.
Dentre acertos e erros, vivi intensamente um movimento idealista, inexperiente e audacioso "partia para cima", mesmo quando era preciso pensar um pouco mais, se não fosse a misericórdia de Deus nada teria dado certo, porque em muitos momentos não sabíamos o que fazer e a emoção acabava ocupando um espaço que não lhe convinha. 
Amargando ainda o fruto da exclusão, espero com esperança o que considero neste momento ser o objetivo mais importante  para o movimento, a nossa reintegração.

"Dê-me, Senhor, agudeza para entender, capacidade para reter, método e faculdade para aprender, sutileza para interpretar, graça e abundância para falar. Dê-me, Senhor, acerto ao começar, direção ao progredir e perfeição ao concluir."
                                                                                                                            São Tomas de Aquino