Rio -  A entrega do relatório que denunciava suspeitos de tráfico de drogas no Complexo do Caju ao Ministério Público (MP) foi feita com consentimento de parte da cúpula da Polícia Militar.
Em depoimento na 17ª DP (São Cristóvão), o tenente-coronel Antônio Jorge Goulart de Mattos, coordenador de Inteligência da corporação, afirmou que alguns oficiais, entre eles o chefe do Estado-Maior Operacional, coronel Alberto Pinheiro Neto, estavam presentes na reunião antes do repasse.
O documento, que continha erros e, segundo a Polícia Civil, dados sigilosos, foi utilizado como base pelo MP para pedir a prisão temporária de 10 suspeitos, entre eles um adolescente e três adultos, todos inocentes.
Na delegacia, Goulart, que assinou o relatório, negou que ele tivesse características de investigação e descartou a hipótese de erros. Disse ainda que existem vários outros ‘procedimentos sistemáticos de coleta de informações e inteligência’ de outras favelas.
O responsável pela elaboração do documento, o tenente Carlos Augusto Goulart do Amaral, também prestou depoimento.
“Além dos erros no caso das quatro pessoas, identificamos outros quatro erros entre os mandados de busca e apreensão. Teve revista até em igreja”, disse o delegado da 17ª DP, Maurício Luciano de Almeida, que investiga abuso de autoridade dos PMs.
Para o delegado, mesmo com a possível anulação do processo, a ser pedida pelo defensor público Henrique Guelber, que defende Jonathan Jailton Vilela, outro inquérito pode ser instaurado.Vítima sofre acidente de motoTraumatizada, a família de Jonathan passou por outro susto na quinta-feira. O funcionário de uma empresa de elevadores sofreu acidente de moto e teve de ser operado no tornozelo.
“Esse acidente foi até em decorrência do momento turbulento que ele vive”, disse a mãe, Olinda. O jovem foi incriminado justamente pela placa da moto.
Além dele, Rodrigo Marcelino da Silva e Fábio Araújo Dutra tiveram as prisões revogadas. A defesa de um outro acusado, Anderson, também irá pedir relaxamento de prisão.
PMs podem responder até por calúnia
Oficiais da PM terão de prestar novo depoimento, na próxima quinta-feira, na Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV). Neste inquérito, eles podem responder ainda por falsidade ideológica, falsa identidade, usurpação de função, calúnia e exposição vexatória de adolescente.
A imagem de W., de 17 anos, foi exibida no relatório junto do nome de um traficante procurado. “Queremos saber efetivamente quem trabalhou na elaboração do documento”, informou o delegado Marcello Maia.
O policial civil já ouviu o menor e seu pai, e recolheu o boné e o casaco que ele vestia na hora da foto. A chefe da Polícia Civil, delegada Martha Rocha, entrou com representação na Corregedoria Geral Unificada contra os PMs responsáveis pelo relatório.Fonte: O Dia



O adolescente citado acima como W., de 17 anos é sobrinho de um amigo bombeiro, que entrou em contato conosco para denunciar tamanha injustiça. Trata-se de um jovem digno, estagiário do Ministério Público Federal, que sofreu muito com a injusta divulgação de sua foto pela imprensa, vinculada ao nome de um traficante de drogas chamado Odilon Fernandes Ripardo ( o Neném).
Lamentamos muito o que esse jovem e consequentemente a família do nosso bombeiro estão passando, por conta deste terrível erro, que obstou a rotina do rapaz  e dos que estão a sua volta.
Disponibilizamos nossa assessoria jurídica para o que for necessário, de maneira nenhuma estarão sozinhos, agora nesta luta por justiça e consolidação da imagem idônea deste rapaz.