quarta-feira, 20 de março de 2013

Faltam guarda-vidas para monitorar banhistas em Niterói


Cidade conta com um efetivo de 26 homens; cinco praias não têm qualquer tipo de acompanhamento

 Bandeira informa aos banhistas o perigo da correnteza em Itacoatiara. Ondas chegaram a 1,5 metro na quarta-feira Foto: Guilherme Leporace
Bandeira informa aos banhistas o perigo da correnteza em Itacoatiara. Ondas chegaram a 1,5 metro na quarta-feira Guilherme Leporace
A morte de dois jovens por afogamento em Piratininga levantou questionamentos sobre o efetivo dos guarda-vidas que atuam nas praias da cidade. A tragédia aconteceu no dia 4 deste mês, e apenas na última sexta-feira os corpos foram resgatados. No dia do acidente, o sol brilhava forte num céu com poucas nuvens, mas o mar estava revolto e as ondas arrastaram os amigos George Manhães, de 16 anos, e Alexander Gomes, de 19, ambos moradores de Pendotiba. Banhistas que presenciaram a cena contam que os rapazes tentaram lutar contra a maré e imploraram por socorro. Os guarda-vidas, ainda segundo testemunhas, estavam posicionados num local afastado da chamada Prainha — trecho no qual ocorreu o acidente — e, consequentemente, não conseguiram chegar a tempo para salvá-los.
— Tenho amigos que viram o afogamento. Eles contaram que o mar estava puxando muito e que as pessoas ficaram com medo de entrar na água. Os guarda-vidas estavam longe dali. Quando chegaram, já era tarde — diz Ângelo Gomes, irmão de Alexander.
Atualmente, 45 guarda-vidas cobrem 13 praias da cidade e de Maricá. Eles se dividem em turnos de 12 horas. Na prática, isso significa que há um “buraco” no esquema de vigilância de banhistas em cinco praias: Boa Viagem (com 450m de extensão), Charitas (mil metros), São Francisco (750m), Gragoatá (80m) e Flechas (400m) não têm, de acordo com o próprio Corpo de Bombeiros, qualquer tipo de monitoramento.
Nas praias que contam com guarda-vidas, o cobertor é curto para atender à demanda. Em Itaipu, são três profissionais escalados para cobrir um quilômetro; em Itacoatiara, cinco tomam conta de 700 metros de orla; Piratininga, com 2,7km, tem dez. Quatro homens trabalham nos 2,6 quilômetros de Camboinhas; em Icaraí, são dois atuando em 1.200 metros; e o banho de mar em Imbuí, uma praia (de 700m) com acesso restrito, controlado pelo Exército, é vigiado por uma outra dupla.
Dados do Corpo de Bombeiros mostram ainda que, somente nestes primeiros meses do ano, houve 684 registros de salvamentos nas praias de Niterói. Duas pessoas morreram por afogamento. Ao longo de 2012, foram resgatados 1.146 banhistas e aconteceram quatro mortes.
Na manhã ensolarada da última quarta-feira, a equipe de reportagem do GLOBO-Niterói percorreu três praias da Região Oceânica e encontrou um número de guarda-vidas inferior ao informado pelo Corpo de Bombeiros. Nenhum estava em Camboinhas; em Itacoatiara, havia três; e, em Piratininga, quatro — uma dupla em cada extremidade, separadas por uma distância de aproximadamente dois quilômetros.
Questionado se a distribuição do efetivo deveria seguir algum critério, o comandante da Área das Atividades de Salvamentos Marítimos do Corpo de Bombeiros, coronel Marcos Almeida, respondeu que não existe uma norma.
— O ideal é que o banhista respeite a sinalização e se posicione próximo aos guarda-vidas — disse o oficial.
Almeida afirmou ainda que, na última quarta-feira, enquanto a equipe do GLOBO-Niterói fazia a reportagem, oficiais devem ter deslocado guarda-vidas para praias com maior demanda. Ele lembrou que, este ano, o governo estadual promoverá um concurso para a contratação de cem guarda-vidas.
Na avaliação da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático, a situação de Niterói é extremamente preocupante.
— É um consenso entre os guarda-vidas que o ideal é ter dois profissionais a cada 500 metros de praia — enfatiza o diretor médico da associação, David Szpilman.Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/niteroi/faltam-guarda-vidas-para-monitorar-banhistas-em-niteroi-7855965#ixzz2O6uDTbzS 

Comentário: Eles alegam falta de GVs quando na verdade faltam Postos de Salvamentos. Realmente um concurso público é extremamente necessário, mas os 3.033 salvamentos nos últimos 03 anos com o total de 09 mortes, mostram que a qualidade dos serviços é de 99,71%, mesmo sem condições adequadas de trabalho. 
Neste verão os GVs de Niterói trabalharam como nunca, estavam reforçados pelos militares do expediente, e não são vistos no meio dos banhistas pela falta de um Posto, o Comando local tem feito o possível para melhorar o serviço, mas a criação de Postos de Salvamentos está fora do seu alcance, que dependem da iniciativa da prefeitura de Niterói.




Nenhum comentário:

Postar um comentário