quarta-feira, 6 de março de 2013

Alagamentos no maracanã e entorno podem envergonhar o Rio na Copa



Entra ano, sai ano e quando chove forte no Rio de Janeiro a cidade não consegue escapar do cenário de caos. As ruas alagam, os carros boiam em meio às piscinas que se formam nas ruas, a população fica ilhada e a volta do trabalho para casa se torna impossível. Com o transbordamento de rios sobretudo na região da Grande Tijuca - que engloba entre outros bairros a  Praça da Bandeira, Tijuca e Maracanã - o carioca se vê exposto ao lixo e a doenças. Não por acaso, a região da Bacia da Grande Tijuca é a mesma onde fica o estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã, que sediará a final da Copa do Mundo de 2014 e competições de futebol na Olimpíada de 2016.
A visita marcada nesta quarta-feira pela delegação da Fifa para vistoriar as obras do Maracanã, por sinal, teve de ser adiada. O estádio virou uma grande lagoa e até agora não há notícias sobre os prejuízos, sobretudo dos equipamentos para a execução das obras, já bastante atrasadas, que não deve ter sido nada pequeno.
A única medida adotada pela Prefeitura é construir piscinões para escoar a água da chuva. Se resolvesse, SP não vivia alagado
Para o professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Meio Ambiente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Adacto Otoni, a repetição de desordem em período de chuvas - sobretudo no verão - é "vergonhosa" e "completamente evitável" pela Prefeitura do Rio.
"Não é que a cidade não esteja preparada para a chuva forte como a de terça-feira. É que a cidade não está preparada para chuva nenhuma. Chuvas intensas são normais no verão do Rio de Janeiro. O que assusta é que todo ano acontecem as mesmas coisas. Chove, alaga, transborda, morre gente e a Prefeitura não muda sua atuação", critica o engenheiro. "A Prefeitura precisa de intervenções mais eficazes nas bacias hidrográficas, mas a única coisa que tem feito é construir piscinões para escoar a água. Se piscinão resolvesse problema, São Paulo não vivia alagado", completou.
Depois da grande confusão que se viu na cidade ontem à noite, o prefeito Eduardo Paes voltou a dizer nesta quarta-feira que até meados de 2014 haverá a conclusão dos cinco piscinões que serão construídos na Grande Tijuca, além do desvio do curso do Rio Joana. Se a obra continuar atrasada como está, pode não ficar pronta a tempo da Copa de 2014, que começa já em junho do ano que vem.
"Os piscinões só resolvem o problema em caso de transbordamento de rios. Ou seja, a medida adotada pelo prefeito só atua na consequência do problema e não na causa. Nada muda de um ano para o outro. O Rio é uma cidade entre o mar e as montanhas. Isto agrava a concentração das nuvens e aumenta a precipitação. Há necessidade de intervenções mais amplas que os piscinões, como a barragem dos rios", defende o estudioso.
O pesquisador listou ainda uma série de medidas que, juntas, podem evitar novos episódios de transbordamento de rios e o alagamento das ruas. Entre as ações estão o saneamento de rios e lixo, e a adoção de coleta seletiva nas comunidades.
"Piscinões só são eficazes em caso de saneamento do esgoto. Se o esgoto não é saneado, os piscinões podem ser entupidos por causa dos detritos. Além disso, se a Bacia hidrográfica fosse reflorestada, 70 a 80% da água da chuva seria infiltrada, evitando o desequilíbrio que se vê hoje na cidade"
Fonte: http://m.jb.com.br/rio/noticias/2013/03/06/alagamentos-no-maracana-e-entorno-podem-envergonhar-o-rio-na-copa/


Nossa equipe também foi surpreendida pela chuva que assolou a cidade.



Saímos do nosso gabinete em direção aos nossos lares, quando no caminho fomos surpreendidos nas proximidades da Cidade Nova, no Centro, por uma forte chuva. Era o início de uma longa espera pelo retorno da normalidade, pois as ruas transmutaram-se em rios, difundindo o caos e o medo. Carros subiam calçadas para fugir da correnteza, outros aceleravam pela contra mão, pessoas correndo pelas águas, um contexto parecido com os filmes do tipo "Armagedom".
Parados por cima do canteiro central da rua onde estávamos, observando as águas passarem, muito lixo boiando, a cidade parada, pudemos constatar na prática, por mais de três horas, o quanto estamos vulneráveis. Receberemos jogos de uma Copa do Mundo, sediaremos uma Olimpíada. Como será?
Na verdade, há muito mais a fazer do que muitos de nós pensam, precisamos de um trabalho sério, comprometido, em prol da nossa cidade, para que o cidade maravilhosa não seja exposta ao mundo como a cidade da balbúrdia. 


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