Rio - No embate entre bombeiros e o comando geral da corporação, um recente "round" pode ser o estopim de uma nova mobilização estadual, como aconteceu em 2011. Acusados de indisciplina, 20 militares foram presos esta semana por criarem um grupo fechado na internet para debater reivindicações.
Após habeas corpus concedidos pela Auditoria Militar, que entendeu que a punição “se valeu de provas obtidas por meios ilícitos”, a Justiça quer agora explicações sobre a “espionagem”.
O grupo GSE/CBMERJ debatia problemas da área de saúde e férias de milhares de militares, que estariam de três a cinco anos sem o benefício. O comando puniu, com cinco ou seis dias de prisão, entre 18 e 19 de fevereiro, quem se tornou membro ou comentou tópicos. Os praças ficaram nos quartéis Central, de Irajá e Niterói até quarta e quinta-feira.

Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia
Assembleia em 2012: risco de novo embate entre soldados e comando | Foto: Carlo Wrede /
Agência O Dia
 
“Eles invadiram o sigilo de um grupo fechado e interceptaram emails particulares. Por isso a mobilização se configura em repúdio a esta repressão que foi multiplicada desde o movimento de 2011”, diz o vereador Marcio Garcia (PR).
Na decisão, a juíza Ana Paula Monte Pena Bastos cobra esclarecimentos das provas apresentadas na corregedoria, que alegou que “os mesmos (militares) postaram comentários inadequados em rede social”.
“Deverá explicitar, especificamente, o modo como foram acessados o grupo fechado e a conta de email”, diz a juíza. Para bombeiros, as recentes arbitrariedades colocam a tropa em iminente rota de colisão com o comando.
“Desde o movimento grevista eles vêm fazendo represálias a qualquer reivindicação. Se você abre a boca, é punido”, denuncia um soldado.
Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que os militares foram punidos por “proferir ofensas contra o comandante de suas unidades” e “incitar quebra na cadeia de comando e desrespeito do comando de suas unidades”. A corporação negou que bombeiros estejam sem férias e disse ainda que esclarecimentos sobre as provas serão feitos apenas à Auditoria Militar.
Tentativa de audiência com Dilma
Na internet, o ex-cabo Benevenuto Daciolo, expulso da corporação, junto com outros 13 bombeiros, por participação no movimento de 2011, dá o tom da nova mobilização e reivindica audiência com a presidente Dilma Roussef para o próximo dia 12 de março.
No vídeo, postado há poucos dias, Daciolo denuncia “perseguição e ditadura” dentro dos quartéis e falta de gratificações, e cobra também a reintegração dos expulsos. “Nós saímos do Estado, estão nos perseguindo, querem nos prender”, diz Daciolo, que foi denunciado por formação de quadrilha após a greve.