MUSEU DO ÍNDIO TOMBADO ! JÁ OS ÍNDIOS...



Índio na Aldeia Maracanã, em foto de arquivo da Ag Brasil
Governo aceitou tombar local, mas mantém decisão de retirar índios do local
O governo do Rio de Janeiro anunciou nesta segunda-feira que vai tombar o Museu do Índio, no Maracanã, espaço alvo de disputa entre indígenas que ocupam o lugar e os responsáveis pelo projeto de reforma dos entornos do estádio de mesmo nome para a Copa do Mundo de 2014.
Ainda assim, continua incerto o destino das famílias indígenas que moram ali, já que o museu será, segundo o governo, "desocupado" para que o espaço possa ser reformado - a desocupação é rejeitada pelos índios.
"O Estado ouviu as considerações da sociedade a respeito do prédio histórico, datado de 1862, analisou estudos de dispersão do estádio e concluiu que é possível manter o prédio no local", diz nota divulgada pelo governo estadual.
O museu, que pertence ao governo, está fechado há seis anos, período em que o local passou a ser ocupado por tribos de diversas etnias que criaram a chamada "Aldeia Maracanã".
A área, na zona norte do Rio, ia ser demolida como parte da modernização da arena para o evento futebolístico. Agora, o governo recua da decisão, mas mantém a intenção de desocupar o local.
"O governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes vão agora tomar a iniciativa de fazer o tombamento do imóvel", afirma o comunicado oficial. "O governo está tomando as devidas providências para que o local seja desocupado dos seus invasores."

'Inegociável'

A secretaria estadual de Assistência Social informou à BBC Brasil que a proposta feita aos índios é de criar um conselho de cultura indígena e um centro de referência para os atuais moradores da Aldeia Maracanã. Até que estes espaços ficassem prontos, os índios morariam em abrigos temporários.
O defensor público federal Daniel Macedo disse que levou o comunicado aos índios, mas que eles rejeitam abandonar o local e têm amparo legal para isso.
"É inegociável", diz Macedo à BBC Brasil. "O prédio é um repositório de memórias. Não confiamos (na oferta do governo), que pode voltar atrás no tombamento. E os índios não são invasores, como diz o comunicado. Pela posse prolongada (desde 2006), eles adquiriram o usucapião (direito à posse do imóvel) coletivo."
Ele ressaltou, porém, que está discutindo com os índios - ele estima que cerca de 65 ocupem a aldeia - a proposta da criação de um centro de referência feita pela Assistência Social.
O que desde já não é aceito, segundo ele, é a proposta de levar os índios a um abrigo e pagar-lhes bolsa moradia. "Isso é incompatível (com seu estilo de vida), é um tiro na cabeça do índio, que tem uma relação intrínseca com a terra", diz Macedo. "Isso desagregaria famílias e amigos."

Destino a ser discutido

No que diz respeito ao tombamento, o restauro do prédio do Museu do Índio ficará a cargo do concessionário vencedor da licitação do Complexo do Maracanã, cujo edital sairá em fevereiro, diz a nota oficial do governo.
E o destino do local após esse processo "será discutido entre o governo do Estado e a Prefeitura do Rio de Janeiro".
Na semana passada, a BBC Brasil informou que técnicos de órgãos das três esferas de governo (federal, estadual e municipal) ligados à preservação de patrimônio público haviam manifestado objeções à demolição, defendendo o tombamento do Museu do Índio.
Na quarta-feira passada, nota no site do Ministério da Cultura informava que a ministra Marta Suplicy também manifestou apoio à preservação do local, seguindo recomendação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Fonte:  BBC Brasil

 O governador resolveu tombar em fim o Museu do Índio, em contrapartida quer expulsar os índios da Aldeia Maracanã de sua terra. Parece até que já vi este "filme", um governador contrariado por ser pressionado pelo povo, é obrigado por conta do contexto social a retroceder, mas não deixa barato para àqueles que se opõem a sua vontade.
As situações parecem que se repetem, pois acontece agora com os índios algo muito semelhante com o que houve a pouco tempo em nossa amada corporação, quando milhares de pessoas entre civis e militares, clamavam ao governo soluções para os problemas graves da corporação: melhores condições de trabalho e salarial para o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro. Aí não teve jeito, o governador cedeu, ainda que em parte através da chegada de algum material, de um discreto e parcelado aumento salarial e um novo plano de carreira, mas também foi violento em seu contra-ataque expulsando bombeiros militares da sua corporação.
Parece uma espécie de vingança contra quem está disposto a lutar por justiça e acaba contrariando seus interesses! Sofreram com esta injusta atitude os bombeiros e agora são os índios que estão sendo alvejados. Quem serão os próximos a serem explodidos pelo governador?

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